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Fernando Pessoa


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1888 - 1935

Biografia

No dia 13 de Junho de 1888, às 15h20, nasce Fernando António Nogueira Pessoa. Coincidência ou não esse poeta que, por não caber em si, multiplicou-se em vários poetas, sendo três deles (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) heterónimos perfeitos, nasceu sob o signo de gémeos, no 4º andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos. Filho de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira, natural da Ilha Terceira, nos Açores, e de Joaquim de Seabra Pessoa, um modesto funcionário público e crítico musical do Diário de Notícias. Fernando Pessoa e seus heteronimos transformaram-se nos maiores expoentes da Literatura Universal do século XX.

1893 - 5 Janeiro, nasce Jorge, irmão de Pessoa 13 Julho, vítima de tuberculose pulmonar, falece Joaquim Seabra, seu pai Novembro, após leiloar boa parte dos seus bens, Maria Magdalena muda-se com os filhos para a rua S. Marçal, 104.

1894 - 2 de janeiro, falece Jorge, seu irmão. Nessa mesma época Fernando Pessoa cria seu primeiro heterónimo "um certo Chevalier de Pas(...) por quem escrevia cartas dele a mim mesmo..."

1895 - 26 de julho. Pessoa escreve seu primeiro poema: "A minha querida mamã" 30 de dezembro, a sua mãe casa com João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, África do Sul. 1896 - 8 Janeiro. Pessoa parte com a mãe para Durban. Lá vai frequentar o convento de freiras irlandesas da West Street, onde toma contato com a língua inglesa e faz a primeira comunhão (Nessa escola alcança a equivalência de cinco anos letivos em apenas três anos 17 de novembro, nasce Henriqueta Madalena, primeira filha do segundo casamento da sua mãe.

1898 - 22 de outubro, nasce Madalena Henriqueta, segunda filha do segundo casamento da sua mãe.

1899 - 11 Abril. Fernando Pessoa matricula-se na High School, onde permanece por três anos e revela-se um dos melhores alunos do seu curso. Ainda nesse ano cria o heterónimo Alexander Search.

1900 - 11 de janeiro, nasce Luís Miguel, terceiro filho do segundo casamento da sua mãe Junho. Fernando Pessoa é premiado na escola pelo seu desempenho em Francês.

1901 - Nesse ano escreve os primeiro poema em língua inglesa Junho, é aprovado com distinção no seu primeiro exame, o "Cape School Higher Certificate Examination". Ainda nesse mês morre a sua irmã Madalena Henriqueta Agosto, acompanha a família em visita a Portugal, onde fica por alguns meses.

1902 - 17 de Janeiro, em Lisboa nasce o seu irmão João Maria Maio, Fernando Pessoa visita a Ilha Terceira, nos Açores, onde vivem os seus parentes por parte de mãe. Na ilha escreve a poesia "Quando Ela Passa" Junho, a família retorna para a África do Sul Setembro. Pessoa retorna, sozinho, para a Durban. Ainda nesse mês matricula-se na Commercial School

1903 - 15 Novembro,presta o exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa esperança, obtendo uma classificação relativamente baixa.

1904 - 16 Fevereiro, recebe o prêmio "Queen Victoria Memorial Prize" pelo melhor ensaio de estilo em Língua Inglesa como prova de admissão à Universidade do Cabo - Escreve poesia e prosa em inglês Lê Byron, Shelley, Keats, Poe e, sobretudo, Shakespeare 16 de Agosto, nasce sua irmã Maria Clara Dezembro, publica o ensaio "Macaulay" no jornal da escola. Ainda em Dezembro faz o "Intermediate Examination in Arts", encerrando assim os seus estudos na África do Sul.

1905 - 17 Agosto, com o intuito de se matricular no Curso de Letras, retorna sozinho e definitivamente para Lisboa, onde vai viver com a avó paterna e duas tias.

1906 - 18 Outubro, matricula-se no Curso Superior de Letras. Ainda nesse mês a sua mãe, o padrasto e os irmãos vão passar férias em Lisboa 11 de dezembro, falece, em Lisboa, sua irmã Maria Clara.

1907 - Sua família retorna para a África do Sul Agosto, desiste do curso de Letras. Ainda nesse mês morre sua avó, que lhe deixa uma pequena herança. Com o dinheiro Pessoa monta a empresa Íbis, uma pequena tipografia, de duração efêmera Começa a dedicar-se quase que exclusivamente a criação de uma obra literária. Por isso, recusa bons empregos, por incluírem obrigações de horário, que poderiam tornar-se empecilho para a concretização de sua obra.

1908 - Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro de firmas comerciais sediadas em Lisboa Vai morar sozinho num quarto alugado Começa a ler os poetas portugueses Antero de Quental, Almeida Garret e, principalmente, Cesário Verde.

1910 - Dezembro, publicação da revista a Águia.

1911 - Fernando Pessoa aceita traduzir, para português, uma Antologia de Autores Universais.

1912 - Janeiro, é fundado, no Porto, o movimento da Renascença Portuguesa. A revista A Águia torna-se o órgão divulgador desse movimento Abril, Fernando pessoa faz sua estreia como critico literário com a publicação do polêmico artigo "A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente e Psicologicamente Considerada", em que prevê o surgimento do supra-Camões. "... o inevitável aparecimento do poeta ou poetas supremos, desta corrente, e da nossa terra, porque fatalmente o Grande Poeta, que esse movimento gerará, deslocará para segundo plano a figura, até agora primacial, de Camões. (...) Mas é precisamente por isso que mais concluível se nos afigura o próximo aparecer de um supra-Camões na nossa terra." Esse artigo gerou muita controvérsia, inclusive entre os participantes do movimento da Renascença. Maio, Pessoa publica na mesma revista o seu segundo artigo: "Reincidindo" Ainda Nesse ano conhece o poeta Mário de Sá-Carneiro, que se transformará no seu melhor amigo Outubro, Sá-Carneiro vai para Paris. Inicia-se uma intensa correspondência entre os dois amigos. Por meio das cartas de Sá-Carneiro Pessoa conhece o Movimento Futurista, idealizado por Fellipo Marinetti em 1909.

1913 - Nesse ano Fernando Pessoa conhece os jovens artistas da sua geração: Almada Negreiros, Aramando Côrtes Rodrigues e os brasileiros Ronald de Carvalho e Luís de Montalvor. Pessoa, Sá-Carneiro e esses jovens formariam o grupo que introduziria o Modernismo em Portugal. 1º de março, Fernando Pessoa publica na revista Teatro um artigo intitulado "Naufrágio de Bartolomeu", que criticava o livro Bartolomeu Marinheiro de Afonso Lopes Vieira 8 de março, novo artigo na revista Teatro: "Cousas Estilísticas que Aconteceram" 22 de março, Fernando Pessoa prepara um artigo sobre a Renascença Portuguesa 29 de março, Escreve a poesia "Pauis" Abril, publica na revista A Águia o artigo "Caricaturas de Almada Negreiros" Maio, Sá-Carneiro envia a Pessoa as poesias para o livro Dispersão. Ainda nesse mês Pessoa escreve o poema "Epithalamium" em inglês. Outubro, escreve "O marinheiro. drama estático" Ainda nesse ano escreve o poema"Hora Absurda"

1914 - Fevereiro, publica na revista A Renascença, número único, os poemas "Pauis" e "O Sino da Minha Aldeia", sob o título de "Impressões do Crepúsculo 8 de março, como o próprio Fernando Pessoa diz esse foi "o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei Ter outro assim", pois surgiu seu famoso heterônimo Alberto Cairo. Em nome dele escreveu "numa espécie de êxtase" os poemas que compõem "O Guardador de Rebanhos". Em seguida e quase em resposta a Caeiro, escreve em seu próprio nome os seis poemas de Chuva Oblíqua. Sucessivamente, cria Álvaro de Campos e Ricardo Reis 13 de julho, em carta endereçada a Sá-Carneiro, declara ter atingido o período completo da sua maturidade literária Ainda nesse ano, Sá-Carneiro regressa a Portugal e traz consigo toda a efervescência dos "ismos" que invadiam a Europa (Futurismo, Cubismo, etc.) Sob essa influência Pessoa e Sá-Carneiro criam duas novas correntes literárias o "Paulismo"(derivado do poema Pauis, de Fernando Pessoa) e o "Sensacionismo". Vale lembrar que essas correntes não tiveram grande repercussão e caíram quase que no esquecimento Outubro, primeiras reuniões do grupo que lançaria, no ano seguinte, a revista Orpheu, marco inicial do modernismo em Portugal Durante uma crise depressiva Fernando Pessoa escreve, de maneira desconexa e fragmentada, trechos do Livro do Desassossego, cuja autoria é atribuída ao semi-heterônimo Bernardo Soares.

1915 - Janeiro, Pessoa escreve, em inglês, o poema "Antinous" 25 de fevereiro, publica o artigo "Para a memória de Antônio Nobre" 26 de março, sai o primeiro número da revista Orpheu, recebido com irritação e zombaria pela crítica e pelo público. Nessa edição, entre outras coisas, são publicados os poemas: O Marinheiro, de Fernando Pessoa Opiário e Ode Triunfal, de Álvaro de Campos Junho, é publicado o segundo número da revista Orpheu. Nessa edição são publicados Chuva Oblíqua de Fernando Pessoa e Ode Marítima de Álvaro de Campos Julho, o jornal A Capital publica uma nota sarcástica contra o grupo da Orpheu. Em resposta Álvaro de Campos envia ao director do jornal uma carta irreverente. Alguns membros da Orpheu, indignados com a atitude de Álvaro de Campos abandonam o grupo. Sá-Carneiro e Almada Negreiros também discordam da atitude de Álvaro de Campos Sá-Carneiro volta para Paris. Em Setembro, em carta endereçada a Fernando Pessoa, avisa que, por motivos econômicos, a edição número 3 da Orpheu não poderia sair.

1916 - Pessoa publica na revista Exílio o poema "Hora Absurda" 31 de março, Sá-Carneiro escreve uma carta a Pessoa anunciando o seu desejo de suicidar-se 18 de abril, última carta de Sá-Carneiro 26 de abril, suicídio de Mário de Sá-Carneiro Setembro, Fernando Pessoa, em carta endereçada a seu amigo Côrtes Rodrigues, anuncia a publicação do terceiro número da Orpheu, mas isso jamais acontece Dezembro, publica no número único da Centauro os catorze sonetos de Passos da Cruz Nesse ano Fernando Pessoa muda frequentemente de habitação e começa interessar-se por astrologia e por mediunidade.

1917 - Abril, publicação do único número da revista Portugal Futurista, que trazia poemas de Fernando Pessoa e o "Ultimatum", de Álvaro de Campos. Ainda nesse mês o editor da revista, Almada Negreiros, faz a conferência Ultimatum futurista às Gerações Portuguesas do Século XX.

1918 - Fernando Pessoa publica, em inglês, "Antinous" e "35 Sonnets".

1919 - Escreve os Poemas Inconjuntos de Alberto Caeiro. Devido a biografia do heterónimo, que faleceu em 1915. esses poemas são datados de 1913/1914 5 de outubro, Falece seu padrasto João Miguel Rosa.

1920 - Conhece e começa a namorar com Ophélia Queiroz Sua mãe e os irmãos regressam a Portugal. Pessoa passa a viver com eles Nesse ano participa com freqüência, com o nome de A. A. Crosse, dos concursos de charadas da revista inglesa Times Outubro, pensa em internar-se numa casa de saúde, devido a grande depressão que passava Novembro, interrompe o namoro com Ophélia, mas não em definitivo.

1921 - Funda a Editora Olisipo, de duração efêmera. Por meio dela publica os English Poems I e II e English Poems III. Essa editora ainda publica A Invenção do Dia Claro de Almada Negreiros.

1922 - Pessoa publica na revista Contemporânea o conto "O banqueiro anarquista". Ainda nesse ano sua editora publica a Segunda edição das "Canções" de Antônio Botto Dezembro, a revista Contemporânea publica o poema "Natal" de Fernando Pessoa.

1923 - A Editora Olisipo lança o folheto "Sadoma Divinizada", de Raul Leal, que é atacado pelos estudantes de Lisboa. O texto, junto com "Canções" de Antônio Botto, é apreendido por ordem do Governo Civil. Em defesa dos Amigos, Álvaro de Campos publica os artigos: "Sobre um Manifesto de Estudantes" e "Aviso por Causa da Moral".

1924 - Publicação do primeiro número da revista Athena, dirigida por Fernando Pessoa e pelo Pintor Ruy Vaz. Essa revista contava com a colaboração do heterónimo Ricardo Reis.

1925 - Fevereiro. é publicado o 5º e último número da revista Athena 17 de março, morre a mãe de Pessoa.

1926 - 28 de maio, instaurada a Ditadura Militar em Portugal.

1927 - Março, publicação do primeiro número da revista Presença. No número 3, José Régio reconhece em Fernando Pessoa o Mestre da nova geração.

1928 - Fernando Pessoa publica O Interregno - Defesa e justificação da ditadura militar em Portugal. Esse panfleto foi recebido por alguns como fascista e, por outros, como uma fina ironia à ditadura de Salazar.

1929 - Pessoa organiza, junto com Antôno Botto, a Antologia de Poetas Portugueses Modernos Retoma o namoro com Ophélia João Gaspar publica o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Fernando Pessoa.

1930 - Recebe a visita do famoso mago inglês Aleister Crowley 5 de outubro, o jornal "Notícias Ilustradas" publica o depoimento de Pessoa sobre o "misterioso" desaparecimento do mago.

1931 - Outubro, publica na revista Presença a tradução do "Hino a Pã" de Aleister Crowley. Ainda nesse ano rompe definitivamente seu relacionamento amoroso com Ophélia.

1932 - 16 de Setembro, concorre ao cargo de "Consevador-bibliotecário" no Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, em Cascais, mas não é aceite Novembro, publica na revisa Fama, o artigo O Caso Mental Português.

1933 - Fevereiro, enfrenta sérios problemas de saúde, passando por uma grave crise de neurastenia Copia os originais de "Indícios de Oiro", de Mário de Sá-Carneiro, com a intenção de publicá-los na revista Presença.

1934 - Fernando Pessoa, com o livro Mensagem, concorre ao prêmio "Antero de Quental" do Secretariado de Propaganda Nacional. Ganha o prémio da "segunda categoria" devido ao número reduzido de páginas. O prémio da "primeira categoria" é conferido ao sacerdote Vasco Reis, pela obra Romaria. Sobre esse episódio, Fernando Pessoa fez a seguinte anotação: "Publiquei em Outubro passado, pus à venda, propositadamente, em 1 de Dezembro, um livro de poemas, formando realmente um só poema, intitulado Mensagem. Foi este livro premiado, em condições especiais e para mim muito honrosas, pelo Secretário de Propaganda Nacional." Até hoje discute-se se a nota tem um carácter de orgulho ou ironia.

1935 - Janeiro, escreve uma extensa carta a Adolfo Casais Monteiro. Nela explica o fenómeno da heteronímia 29 de novembro, é internado no Hospital de São Luís por causa de uma cólica hepática 30 de novembro. Fernando Pessoa falece deixando uma última frase escrita em inglês: "I Know not what tomorrow will bring" (Eu não sei o que o amanhã trará).

1935 - O "Diário de Notícias" publica, em 3 de Dezembro, a Nota de Falecimento de Fernando Pessoa.

1942 - A Editora Ática, de Lisboa, inicia a publicação das "Obras completas de Fernando Pessoa".

1982 - O "Livro do Desassossego", de autoria do semi-heterônimo Bernardo Soares, é publicado integralmente.

Livros escritos por Fernando Pessoa

Livro do Desassossego (1982)

Banqueiro Anarquista (O) (1981)

Ultimatum e Páginas de Sociologia Política (1980)

Textos de Crítica e de Intervenção (1980)

Da República 1910-1935 (1979)

Introdução e organização de Joel Serrão (1979)

Sobre Portugal (1979)

Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)

Obras em Prosa (1974)

XI - Poemas Ingleses Publicados por Fernando Pessoa (1974)

X - Novas Poesias Inéditas de Fernando Pessoa (1973)

Textos Filosóficos (1968)

Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias (1966)

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação (1966)

IX - Quadras ao Gosto Popular de Fernando Pessoa (1965)

Obra Poética (1960)

Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões (1957)

VIII - Poesias Inéditas (1919-1930) de Fernando Pessoa (1956)

VII - Poesias Inéditas (1930-1935) de Fernando Pessoa (1955)

VI - Poemas Dramáticos de Fernando Pessoa (1952)

Páginas de Doutrina Estética. (1946)

III - Poemas de Alberto Caeiro (1946)

IV - Odes de Ricardo Reis (1946)

V - Mensagem. de Fernando Pessoa. 3.ª ed. (1945)

II- Poesias de Álvaro de Campos (1944)

Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues (1944)

I - Poesias de Fernando Pessoa (1942)

Mensagem (1934)

English Poems. III - Epithalamium. (1921)

English Poems. I - Antinous. II (1921)

Antinous (1918)

35 Sonnets (1918)

Poemas escritos por Fernando Pessoa

A Minha Vida é um Barco Abandonado

A Morte Chega Cedo

Abat-Jour

Abdicação

Abismo

Além-Deus

Andei Léguas de Sombra

Ao Longe, ao Luar

Aqui Onde se Espera

As Horas pela Alameda

As Minhas Ansiedades

As Tuas Mãos Terminam em Segredo

Às Vezes Entre a Tormenta

Assim, Sem Nada Feito e o Por Fazer

Atravessa Esta Paisagem o Meu Sonho

Autopsicografia

Bate a Luz no Cimo...

Brilha uma Voz na Noute...

Cansa Sentir Quando se Pensa

Cerca de Grandes Muros Quem te Sonhas

Cessa o Teu Canto!

Chove ? Nenhuma Chuva Cai...

Chove. É Dia de Natal

Chove. Há Silêncio

Começa a Ir Ser Dia

Como a Noite é Longa!

Como Inútil Taça Cheia

Como uma Voz de Fonte que Cessasse

Conta a Lenda que Dormia

Contemplo o Lago Mudo

Contemplo o que não Vejo

Dá a Surpresa de Ser

Da Minha Idéia do Mundo

De Onde é quase o Horizonte

De Quem é o Olhar

Ditosos a quem Acena

Dizem que Finjo ou Minto

Dizem?

Do Vale à Montanha

Dobre

Dorme Enquanto Eu Velo...

Dorme Sobre o Meu Seio

Dorme, que a Vida é Nada!

Durmo. Se Sonho, ao Despertar não Sei

É Brando o Dia, Brando o Vento

Ela Canta, Pobre Ceifeira

Ela Ia, Tranquila Pastorinha

Elas São Vaporosas

Em Busca da Beleza

Em Horas inda Louras, Lindas

Em Plena Vida e Violência

Emissário de um Rei Desconhecido

Entre o Bater Rasgado dos Pendões

Entre o Luar e a Folhagem

Entre o Sono e Sonho

Esqueço-me das Horas Transviadas

Esta Espécie de Loucura

Eu amo tudo o que foi

Feliz Dia para Quem É

Flor que não Dura

Foi um Momento

Fosse eu Apenas, não Sei Onde ou Como

Fresta

Fúria nas Trevas o Vento

Gato que brincas na rua

Glosa

Gomes Leal

Grandes Mistérios Habitam

Guia-me a Só a Razão

Hoje estou triste, estou triste.

Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

Intervalo

Liberdade

MARIA: Amo como o amor ama.

Mensagem - Brasão

Mensagem - Mar Português

Mensagem - O Encoberto

Não quero rosas, desde que haja rosas.

Não sei quantas almas tenho

Não: não Digas Nada!

O Andaime

O Maestro Sacode a Batuta

O que Me Dói não É

O Quinto Império

Pobre Velha Música!

Põe-me as Mãos nos Ombros...

Santo António

Se tudo o que há é mentira

Sonho. Não Sei quem Sou

Sorriso Audível das Folhas

Sou um evadido

Tenho Tanto Sentimento

Teus Olhos Entristecem

Tomamos a Vila depois de um Intenso Bombardeamento

Vaga, no Azul Amplo Solta



Textos do Autor


Diversos


Carta de Amor a Ofélia (1)

Meu querido amorzinho:

Hoje tenho tido imenso que fazer, quer fora do escritório, quer aqui mesmo.
Vão só duas linhas, para te provar que te não esqueço - como se fosse muito facil eu esquecer-te!
 
Olha: mudo de Benfica para a Estrela no dia 29 deste mês de manhã; estive agora mesmo a combinar a mudança. Isto quer dizer que no domingo que vem nos não
veremos, pois passarei o dia lá em Benfica a arrumar tudo, pois não é natural que tenha tempo para o fazer durante a semana.
 
Estou cansadissimo, e ainda tenho bastante que tratar hoje. São 5 horas e meia, segundo me diz o Osório. Desculpa-me eu não te escrever mais, sim? Amanhã, à hora do costume nos encontraremos e falaremos.

Adeus, amor pequenininho.
Muitos e muitos beijos do teu, sempre teu
Fernando

24.3.1920


Fonte: Casa Fernando Pessoa

Quem cruzou todos os mares

Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo. Já cruzei mais mares do que todos. Já vi mais montanhas que as que há na Terra. Passei já por cidades mais que as existentes, e os grandes rios de nenhuns mundos fluíram, absolutos, sob os meus olhos contemplativos. Se viajasse, encontraria a cópia débil do que já vira sem viajar. 

Nos países que os outros visitam, visitam-nos anónimos e peregrinos. Nos países que tenho visitado, tenho tido, não só o prazer escondido do viajante incógnito, mas a majestade do Rei que ali reina, e o povo cujo uso ali habita, e a história inteira daquela nação e das outras. As mesmas paisagens, as mesmas casas eu as vi porque as fui, feitas em Deus com a substância da minha imaginação.

Fonte: «Livro do Desassossego»

Livro do Desassossego - Deus criou-me...

Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança. Mas porque deixou que a vida me batesse e me tirasse os brinquedos e me deixasse só no recreio, amarrotando com mãos tão fracas o bibe azul sujo de lágrimas compridas?
Se eu não poderia viver senão acarinhado, por que deitaram fora o meu carinho?

Ah, cada vez que vejo nas ruas uma criança a chorar, uma criança exilada dos outros, dói-me mais que a tristeza da criança o horror desprevenido do meu coração exausto. Dôo-me com toda a estatura da vida sentida, e são minhas as mãos que torcem o canto do bibe, são minhas as bocas tortas das lágrimas verdadeiras, é minha a fraqueza, é minha a solidão, e os risos da vida adulta que passa usam-me como luzes de fósforos riscados no estofo sensível do meu coração.

Fonte: Livro do Desassossego

Livro do Desassossego - Se algum dia...


Se algum dia me suceder que, com uma vida firmemente segura, possa livremente escrever e publicar, sei que terei saudades desta vida incerta em que mal escrevo e não publico. Terei saudades, não só porque essa vida fruste é passado e vida que não mais terei, mas porque há em cada espécie de vida uma qualidade própria e um prazer peculiar, e quando se passa para outra vida, ainda que melhor, esse prazer peculiar é menos feliz, essa qualidade própria é menos boa, deixam de existir, e há uma falta.
Se algum dia me suceder que consiga levar ao bom calvário a cruz da minha intenção, encontrarei um calvário nesse bom calvário, e terei saudades de quando era fútil, fruste e imperfeito. Serei menos de qualquer maneira.
Tenho sono. O dia foi pesado de trabalho absurdo no escritório quase deserto. Dois empregados estão doentes e os outros não estão aqui. Estou só, salvo o moço longínquo. Tenho saudades da hipótese de poder ter um dia saudades, e ainda assim absurdas.
Quase peço aos deuses que haja que me guardem aqui, como num cofre, defendendo-me das agruras e também das felicidades da vida.

Fonte: Livro

Para que serve a liberdade às plebes?

Para que serve a liberdade às plebes? Para que lhes serve, supondo, de resto, que elas a possam obter e usar dela?
As plebes são, por sua natureza, aquela parte da sociedade sobre quem incide, quer por divisão social, como a escravatura, quer por compulsão económica, o trabalho manual ou com ele relacionado, o trabalho do artífice. A que serve ao artífice a liberdade? O que [é] à plebe devido não é a liberdade, é a ausência de opressão, que é devida a todos, e o seu direito natural de homens. É esse o direito do homem; esse, e não a liberdade. A que se reduz esse direito? O de não haver mais ingerência na vida das plebes do que a natural; e a natural é a sua condição definida de escravos no tempo da escravatura; e a sua condição económica de compelidos ao trabalho quotidiano e manual, no tempo da chamada concorrência (da concorrência universal).
Para que serve qualquer das fórmulas de liberdade à plebe? Para que lhe serve a liberdade de pensamento? De que serve a liberdade de pensamento a quem, por sua condição social, não pode pensar? De resto, é essa uma liberdade que se lhes pode conceder até certo ponto.
Que haja uma liberdade que permita ao escravo contemporâneo a sua libertação, que modernamente cada qual faz por si próprio, e não por concessão de um dono — isso é justo. Ao homem da plebe compete a liberdade da oportunidade, mas uma liberdade apertada, restrita, para que só os deveras dignos dela possam passar-lhe pelas malhas.
Outra coisa é a liberdade de pensamento, aplicada aos que podem usar dela. Como, porém, fazer a distinção?

Tenho Sonhado Muito

Bernardo Soares
A vida é para nós o que concebemos nela.

A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais às da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que [se] me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro — tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal-disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!

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