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Folheando com... Renato Carreira


Renato Carreira

2009-05-29

A entrevista do Portal da Literatura ao autor de História de Portugal Director's Cut. Leia aqui.

Renato Carreira nasceu em 1977 e tem-se mantido vivo de forma mais ou menos contínua desde então. Frequentou vários estabelecimentos de ensino, fez trabalhos de mérito intermitente para televisão e imprensa e tem feito traduções, conquistando uma reputação unânime de “gajo esquisito” entre aqueles que com ele trabalharam.


1 – A descrição que aparece sobre a sua pessoa suscita imediatamente curiosidade. Quem é afinal o Renato Carreira e como é que surge a História de Portugal Director’s Cut ? 

Quando não se tem grande visibilidade ou pergaminhos, fazer um resumo biográfico pode ser penoso. Ou se referem apenas factos completamente banais ou se puxa um pouco pela imaginação, “embelezando” e correndo o risco de deixar as pessoas incertas quanto à veracidade do que se diz. Neste caso, é tudo verdade (incluindo os apontamentos gastronómicos). A única coisa que poderá não o ser, dependendo do dia, é a referência à oferta de dinheiro a quem me segredar Costa da Caparica.
Pode dizer-se que o livro nasceu numa gelataria do Chiado. O António Pacheco, da Saída de Emergência, disse-me qualquer coisa como: “E se fizesses uma coisa a brincar com a História?” Há alguns anos que andava a revolver mentalmente qualquer coisa desse género. Cheguei a escrever o primeiro episódio de uma série televisiva e, depois, pensei em criar um espaço na internet onde se satirizasse o tema. Não tinha pensado em escrever um livro porque me pareceu difícil de concretizar (já tinha alguma experiência em ver textos rejeitados por editoras). A tal conversa na gelataria foi o empurrão necessário e penso que a opção por este formato foi a mais correcta.


2 – História de Portugal Director’s Cut
"É provavelmente o livro mais divertido do ano." - em Revista Ler.
Dá muito trabalho escrever com humor, Renato Carreira?

Implica um esforço constante para ter graça e fazer as pessoas rir e o processo é mais desagradável do que se possa pensar. Em vez de ser divertido, assemelha-se mais à ocupação de um posto de trabalho numa siderurgia. Sua-se, resmunga-se, amaldiçoa-se a sorte, mas tem de ser. E o resultado final acaba por compensar. Mas não dará mais trabalho do que escrever outros géneros, procurando atingir objectivos diferentes. Quando não há objectivo nenhum além de pôr palavras no papel, posar para a fotografia da contracapa e fazer sessões de autógrafos, será muito mais fácil.

Raimundo recebeu Urraca, filha legítima do rei, de aspecto menos medonho do que o nome possa indicar, e os territórios da Galiza. Em 1096, Henrique, que, entretanto, continuava à espera da sandes de presunto, casou com uma filha bastarda do monarca, Teresa, de nome corriqueiro, mas dotada de um buço capaz de arrepiar as pedras do Castelo de Guimarães, sendo-lhe concedido o governo das terras a sul do Rio Minho, os condados de Portucale e de Coimbra. Quanto à sandes, nem vê-la.

 

3 – Quer falar-nos do trabalho de pesquisa que fez para escrever o livro? Quanto tempo levou a escrevê-lo, Raimundo Carreira?

Gostaria de poder dizer que passei meses trancado em bibliotecas e arquivos, a queimar pestanas debruçado sobre volumes empoeirados, mas seria mentira. Consultei um número reduzido de obras de referência da autoria de historiadores conceituados (prefiro não referir nomes por receio de represálias) e isso permitiu-me tornar um pouco menos vago o conhecimento geral da História que já tinha. O resto foi por extrapolação.
O livro ocupou-me cerca de um ano, entre meses de escrita intensiva e outros em que escrevia umas linhas quando não havia nada de jeito na televisão.


4 - Os autores são irreversivelmente influenciados por tudo o que vêem, vivem e lêem. Supomos que os seus leitores têm curiosidade em conhecer as suas referências literárias. Pode relatar-nos algumas dessas referências? 

Acho que só devia ser permitido citar referências literárias (ou de outro tipo) a pessoas com mais de cinquenta anos. Até se aprovar esta lei, posso dizer que, olhando para a minha estante modesta, fico com a impressão de que os livros pertencem a umas três ou quatro pessoas diferentes, com gostos variados e até contraditórios. Talvez seja positivo. Se nos limitarmos a géneros ou autores, acabamos por perder muita coisa. Mas admito que gostava de ser o Eça de Queirós quando for grande. Isso ou o Stan Lee. Uma mistura dos dois, se não for pedir muito.

Em 1951, morre no cumprimento do dever o presidente Carmona, deixando “muitas saudades” 87 a todos os portugueses. Às eleições presidenciais que se seguiram, apresentam-se dois candidatos da oposição. Um deles, Ruis Luís Gomes, é considerado inelegível e vê-se excluído do processo eleitoral, depois de uma junta médica isenta o diagnosticar como sofredor de uma maleita incurável chamada Febre de Moscovo ou Síndroma de Avermelhamento Progressivo.

87 – Só não houve fogo de artifício para não chamar a atenção.

5 – A história de Portugal é por si relatada até meados de 2007. Se lhe pedíssemos que resumisse numa frase ou parágrafo, os dois últimos anos, o que escreveria?

Não acrescentaria grande coisa porque está tudo mais ou menos na mesma. Talvez pudesse fazer uma referência à aposta do governo em tecnologias de futuro, que contrasta com a continuada incapacidade para resolver os problemas que nos afectam há décadas (possivelmente há séculos) e que pouco se alteraram durante esse tempo. Seria de esperar que quem nos governa tivesse tido já tempo suficiente para encontrar soluções para questões como a corrupção, a barafunda económica ou a falta de instrução generalizada dos portugueses, mas parece que precisarão de mais uma ou duas centenas de anos para chegar lá. Pode ser que o computador Magalhães traga software adequado para atingir o objectivo.

6 – A pergunta sacramental: o que é que vem a seguir e qual é, literariamente falando, o grande objectivo da sua vida.

Olhando para a quantidade de livros que os portugueses compram e para os títulos nos tops de vendas, já pus de parte o objectivo de me tornar rico e famoso. Contento-me se conseguir publicar e vender alguns exemplares de outras ideias que tenho na cabeça. Se não conseguir, rendo-me, passo a assinar com mais um apelido e exijo um lugar entre o “Equador” e o “Não Há Coincidências”.

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