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Folheando com... Mário Cláudio


A necessidade de arrumar

2006-07-18

Estando Penafiel a homenagear Mário Cláudio, nada como relembrar a entrevista que deu ao Portal da Literatura em 2006…

Entrevista a Mário Cláudio no âmbito do seu romance Camilo Broca. 

Mário Cláudio e o seu "Camilo Broca" em entrevista ao Portal da Literatura - um romance onde toda a excentricidade, toda a loucura dos seus personagens é fruto do autor ou daquilo que o mesmo gostaria de ser.

O Mário Cláudio é autor de uma obra multifacetada que abarca a ficção, a poesia, a dramaturgia e o ensaio. De todas elas qual é que gosta mais?
Todas elas me inspiram uma simpatia de fundo, e uma irritação eventual. No momento em que as escrevo parecem-me sempre definitivas, posto que só definitivas para mim, mas ao relê-las, julgo-as frequentemente ultrapassadas por aquilo que entretanto vivi. Não sou, nem nunca serei, um autor instalado na sua obra. Às vezes apetece-me fugir dela, mas de quando em quando regresso a uma espécie de fidelidade do artífice ao trabalho que produziu. Não, não tenho títulos preferidos.

Para que é que serve um romance, Mário Cláudio?
Para satisfazer a necessidade de arrumar, mediante o uso de palavras, o Mundo que calhou ao seu autor, e também para partilhar essa necessidade com aqueles que, achando-se na mesma onda de frequência, a possam igualmente experimentar.

Como é que surge o título «Camilo Broca»?
Surge de uma alcunha aplicada à família de Camilo Castelo Branco, entidade que aparece no romance como hipótese de personagem, mas não personagem efectiva, e muito menos como protagonista.

A descrição que faz das personagens que cria, como o Manuel Joaquim, a Rita Emília, o Domingos, para não falar do próprio Camilo, é muito rica em pormenores físicos e comportamentais. De uma forma geral eles são excêntricos. Como é que cria estas personagens?
São as personagens que trabalham um autor, e não este que as define e declina. Toda essa excentricidade, toda essa loucura, é muito mais minha, ou do homem que eu gostaria de ser, do que de qualquer figura histórica que eu pudesse aproveitar como modelo. De facto, vivos ou mortos, reais ou imaginários, os interventores em qualquer história são sempre, e exclusivamente, os que existem dentro de nós.

Numa entrevista, falando de Camilo Castelo Branco, disse que adora escritores irregulares, que não há nada que o irrite mais do que a regularidade de um escritor. Considera-se um autor irregular, insusceptível de ser oficializado?
Considero-me irregular, se bem que não seja isso o que assegura a grandeza. O que a exclui é de facto a banalidade, ou a neutralidade, essa trágica condição de certos artistas de quem nunca alguém diz mal, mas de quem nunca alguém diz muito bem. Quanto aos autores oficiais há necessariamente bom e mau. Que seria dos grandes clássicos, se assim não fosse?

Que análise faz dos últimos dez anos da literatura em Portugal? Há algum facto que queira destacar?
Há propostas muito interessantes, e também uma insuportável repetição de fórmulas. Acho que cada vez menos me deparo com escritores pertencentes à minha família, mas sei que eles estão aí, acontecendo apenas serem muitíssimo jovens. Por enquanto há três ou quatro autores mais recentes que admiro muito, mas de que gosto pouco.

Uma pergunta que certamente interessa aos seus leitores. Que livro vem a seguir?
Outro romance.

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