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Folheando com... José Rodrigues dos Santos


2013-10-14

Tem um ritmo criativo acima da média, com onze livros editados em outros tantos anos. Alguns dos romances mais vendidos em Portugal são da sua autoria. Falamos naturalmente de José Rodrigues dos Santos a quem temos o gosto de entrevistar.





Numa vasta e renhida votação, os visitantes do Portal da Literatura elegeram o livro «A Mão do Diabo» o Melhor Romance de 2012. Surpreendeu-o ficar à frente de escritores como Mia Couto, António Lobo Antunes e Miguel Sousa Tavares, entre muitos outros?

JRS: Surpreendido, não. No fim de contas, a enorme receptividade pública aos meus romances coloca-os naturalmente na linha da frente nas preferências dos leitores. Mas a eleição de A Mão do Diabo como melhor romance de 2012 deixou-me evidentemente muito orgulhoso, até porque neste tipo de eleição não há viciação de votos à custa de cunhas de amigos e compadrios no juri. São os leitores que escolhem.

 

O Homem de Constantinopla, o seu 11º romance, centra-se num personagem ficcionado à volta de Calouste Gulbenkian. Ao que consta, fez uma exaustiva pesquisa para poder escrever sobre a vida deste empresário. Pode dizer-nos quais foram as fontes mais importantes a que recorreu e o que mais o surpreendeu?

JRS: As fontes serão todas apresentadas no final do romance que fecha a história, Um Milionário em Lisboa, que será lançado no sábado 23 de Novembro – a propósito, os frequentadores do Portal da literatura estão todos convidados para o evento. Tratam-se de fontes bibliográficas, documentais e testemunhais, naturalmente.

 

Transcorridas que foram algumas semanas desde o lançamento do romance, pode dizer-nos se já teve alguma reacção por parte dos familiares de Calouste Gulbenkian?

JRS: Muito boa. Temos falado com regularidade e os familiares de Gulbenkian ajudaram-me já com muita informação, incluindo histórias menos conhecidas, que irei utilizar em Um Milionário em Lisboa.

Há quem ache que o segredo do seu sucesso assenta no facto de escolher histórias escaldantes, acontecimentos rocambolescos, segredos por desvendar, fraude e corrupção nos corredores do Poder... Concorda ou acha que existe outra explicação?

JRS: Não me parece que seja bem isso. Por exemplo, A Fórmula de Deus é um romance sobre física e matemática. Acha que se trata de um tema “escaldante” cheio de “acontecimentos rocambolescos”? Não me parece. O segredo dos meus romances não está necessariamente nos temas, mas na forma como os temas são tratados. Claro que há temas melhores e piores, mas a arte e a técnica de contar a história é que são cruciais.

 

Os seus livros estão publicados em vinte línguas e, de acordo com o que lemos, foram já vendidos cerca de dois milhões de exemplares. A pergunta decorre naturalmente deste facto: sente-se na pele de um jornalista que escreve romances, ou na pele de um escritor que continua a fazer jornalismo?

JRS: Todos desempenhamos vários papéis na vida e desempenhamo-los por completo e uns papéis não anulam os outros. Assim, quando estou com a minha mãe sou filho, quando estou com a minha mulher sou marido e quando estou com as minhas filhas sou pai. Do mesmo modo, quando escrevo os romances sou escritor, quando faço jornalismo sou jornalista e quando dou aulas na faculdade sou professor.

 

Acha que ainda há Gulbenkians?

JRS: Homens ricos? Claro. Pessoas como o Gulbenkian? Não. Cada um de nós é, à sua maneira, único. Temos muita coisa que nos torna iguais a outros, mas existem também muitos traços, ou combinação de traços, que são só nossos. Gulbenkian naturalmente segue a mesma regra.

 

Há alguma diferença – na pele de jornalista e na pele de escritor – na forma como olha para o mundo de hoje, em geral, e para a situação portuguesa, em particular?

JRS: Vejo o mundo da mesma maneira, mas é natural que me expresse de modos diferentes. O discurso jornalístico tem muitos pontos de contacto com o discurso literário, mas há igualmente importantes diferenças.

 

Seguem-se cinco perguntas formuladas por visitantes do Portal de Literatura que são seus admiradores:

Um Milionário em Lisboa é o segundo livro sobre a vida de Calouste Gulbenkian. O que pode adiantar já sobre o mesmo?

JRS: O romance vai contar como e por que razão Gulbenkian veio para Portugal e gostou do país. Explicará também os acontecimentos que o levaram a criar cá a fundação. O romance inclui muitos episódios divertidos e reveladores da vida dele no nosso país, alguns absolutamente inéditos.

 

De todas as personagens que criou ou romanceou qual foi a que mais o marcou e porquê?

JRS: O Tomás Noronha, claro. É a personagem principal em seis romances e isso diz tudo.

 

Qual a melhor lembrança que guarda relacionada com os seus livros?

JRS: O prazer de os escrever.

 

Alice Munro é a nova Nobel da Literatura. O que pensa da sua nomeação? Já leu algum livro dela?

JRS: Ela é sobretudo autora de contos. Nunca a li.

 

Espera um dia chegar a Nobel da Literatura?

JRS: Não. De resto nem escrevo para ganhar prémios, mas para prazer meu e dos meus leitores.

 

José Rodrigues dos Santos, o Portal da Literatura agradece a entrevista e deseja-lhe as maiores felicidades.

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