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O Último Eça



Sinopse

O Portugal que hoje conhecemos é o mesmo que Eça viveu nas décadas de 80 e 90 do século XIX: as instituições como a Justiça, a Educação e a Saúde estão bloqueadas ou são ineficazes, temos uma classe política medíocre, um empresariado especulativo, assente sobretudo no betão e no comércio de curto prazo, elites que visam a fama sem o suor do trabalho, um povo que rasteja em Fátima ou ulula em estádios de futebol. Somos, mesmo depois da entrada na Europa, um país onde a pessoa é substituída pelo orçamento.

Ler Eça hoje é, por isso, extremamente actual, para além de nos ajudar a suportar a farsa em que Portugal se vem tornando todos os dias, contrariando as promessas da democracia. Mas a verdade é que a generalidade dos críticos do romancista classifica o Eça dos últimos anos como um homem diferente — um burguês resignado, acomodado e passivo —, do que Miguel Real discorda em absoluto.

Contrariando, assim, as teses do Estado Novo e de estudiosos tão diferentes como António Sérgio, Jaime Cortesão ou António José Saraiva, o autor deste O Último Eça substitui os adjectivos «resignado», «vencido da vida» ou «passivo» por «humanista», «empenhado», «profundamente sensível e consciente», oferecendo uma visão humanista revolucionária dos últimos anos da vida do grande escritor português e sugerindo uma nova periodização e classificação da totalidade da obra de Eça de Queirós.

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