Loading...

Mrs. Dalloway


Votos de UtilizadoresVotos de UtilizadoresVotos de UtilizadoresVotos de UtilizadoresVotos de Utilizadores
Seja o primeiro a votar, clique na pontuação que deseja atribuír. Registe-se para votar.

Sinopse

«Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional. O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a acção decorre. A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Virginia Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem. Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.»

Críticas ao livro "Mrs. Dalloway"

Fonte: Lydo e Opinado

Este é o tal famoso livro de bolso que a minha mãe encontrou abandonado no seu local de trabalho e resolveu trazer para que eu ficasse com ele. Esta é, também, a tal famosa obra em que Michael Cunningham se inspirou para escrever o seu livro "As Horas". Desta maneira, posso afirmar que até estava com algumas expectativas, especialmente porque já tinha feito um trabalho sobre a autora e tinha ficado curiosa, pois nunca tinha lido nada seu.

Mal o abri, deparo-me com um pequeno parágrafo: "Mrs. Dalloway fez saber que ela mesma se encarregaria de comprar as flores." Foi a partir daqui que percebi que este livro ia ser diferente de tudo o que eu já alguma vez tinha lido - e estava certa. Para mim, foi muito difícil conseguir embrenhar-me na história deste livro. Porquê? Porque parece que não tem história alguma. No entanto, ela está lá, em cada personagem que aparece ao virar da esquina. Sim, porque eu senti-me uma pessoa que caminhava nas ruas de Londres, mas que não estava realmente lá. É um sentimento estranho, este. Tudo isto porque a narração ocorre à volta de Clarissa Dalloway, uma mulher que já entrou na fase dos 50 e que ainda não sabe, ao certo, o que fez com a sua vida.

Vestida num sobretudo castanho, com um chapéu envolto em flores, fui caminhando por Londres, seguindo as linhas orientadoras de Virginia Woolf. Entro num parque cheio de crianças e deparo-me com umas quantas pessoas que Clarissa conhece - ou conheceu. Cada pessoa - sem exagero - tem um certo número de páginas guardadas para si. Isto, para mim, foi algo muito estranho. Tudo porque, ia já na página 40, e continuava sem perceber o porquê de eu ter de saber a vida de quase toda a gente com quem Clarissa se cruzava. Ao início foi muito difícil meter isto na minha cabeça, ler tudo aquilo com interesse. Depois, lá me habituei e comecei a encarar cada história com naturalidade. No fim, todas aquelas histórias que, ao início, não faziam sentido, tomam finalmente o seu significado e desvendam o que realmente Clarissa Dalloway é.

Consegui encontrar as tais partes do livro em que Michael Cunningham pegou para construir a sua obra. Consegui interligá-las com o que já tinha lido e com o que já sabia acerca de Virginia Woolf. Consegui, também, encontrar a autora escondida numa das personagens. Chocou-me um pouco e deixou-me melancólica, mas nem toda a gente tem uma mente sã. E esta obra faz um retrato do pós-guerra, de todo o seu ambiente e todas as pessoas que viveram traumas imensos. Demonstra, também, como alguém pode mudar só para agradar os outros. Querem saber de quem falo? Leiam, por favor.

Fonte: Diários de metacrítica

“Mrs Dalloway disse que ela mesma ia comprar as flores”. Assim começa o romance “Mrs Dalloway”, publicado originalmente em 1925 e que consagrou o estilo próprio e inovador da escritora britânica Virginia Woolf.

Mas quem é essa Mrs Dalloway e que fascínio ela exerce para que, a partir de uma ação corriqueira como comprar flores ou dar uma festa, nós sigamos seus passos da primeira à última linha?

O carisma desse personagem que serve de título ao primeiro grande romance de Woolf talvez reflita o próprio deslumbramento que a autora exerce sobre uma geração de leitores – sejam eles críticos, escritores ou gente como a gente. Pois não são poucos os filmes, as músicas e os livros, – críticas ou romances, biografias ou ensaios – que tomam a personagem como ponto de partida.

No ano em que se completam 130 anos de nascimento da escritora e num momento em que toda sua obra entra em domínio público, é de se esperar que essa fascinada produção artística em torno de Virginia Woolf aumente ainda mais.

Este é o caso da publicação recente de “Mrs Dalloway” pela editora Autêntica. A edição, bem cuidada graficamente e enriquecida com textos críticos do tradutor e por uma introdução da própria escritora, apresenta dois volumes em um estojo: o primeiro é o romance propriamente dito e o segundo, uma espécie de livro de anotações que recebeu o nome de “O Diário de Mrs Dalloway” e é uma versão estilizada dos muitos diários mantidos por Woolf, recheado de ilustrações de Mayra Martins Redin, de escritos da própria autora e de páginas em branco para serem preenchidas pelo leitor.

Como explica o professor Tomaz Tadeu, responsável por essa nova tradução, o objetivo foi produzir um livro diferente das demais edições existentes no mercado, que fosse um verdadeiro objeto de desejo.

“Creio que, nesta era de literatura digital, o futuro do livro impresso está justamente em reforçar os seus aspectos sensuais, as suas características de objeto a ser visto, contemplado, tocado, manuseado. E ‘Mrs Dalloway’ era uma boa oportunidade para essa experimentação”, diz.

Além dos aspectos sensoriais, defende Tadeu, o cuidado com a edição se mostra no interior do livro, a começar pela abundância de notas. Em especial, chama a atenção “o detalhe de começar o livro não com os textos adicionais, mas diretamente com o texto do romance: o leitor entra imediatamente no romance”, como explica Tadeu.

Em síntese, o enredo descreve um dia de verão de 1923, entre as 10 da manhã à meia-noite: o dia em que Clarissa Dalloway dará uma de suas típicas festas. A partir de sua decisão de sair e adquirir as flores que enfeitarão seus salões, somos levados a flanar entre as ruas e os parques de Londres, vagando entre o fluxo de pensamento dos personagens e as ações e os acontecimentos de uma metrópole após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Inovações dos moldes. E é esse fluxo e flanagem que dão o ritmo de leitura: um livro em que Virginia Woolf se dedica a romper com os padrões do romance tradicional e em que apresenta os personagens como são internamente, num emaranho de sentimentos, emoções e lembranças. Com essa nova maneira de narrar, Woolf adentra no time de escritores modernistas como James Joyce e T. S. Eliot.

Como ela descreveu em seus diários, trata-se de um processo de saturar cada átomo, de mostrar o momento inteiro, de cavar túneis mentais através dos quais, aos poucos, ela pode narrar o passado de cada personagem.

“Cavo belas galerias por detrás de meus personagens: penso que isso dá exatamente o que quero; humanidade, humor e profundidade”. Como anotou Woolf posteriormente, essa foi sua principal descoberta como escritora até aquele momento. E é nessa descoberta que reside uma das inovações introduzidas por Woolf nos moldes do romance tradicional, como explica Tadeu.

“A corrente ininterrupta da consciência é mimetizada por uma sintaxe feita de períodos longos interrompidos por ponto-e-vírgula, por uma sintaxe feita de intercalações, bem como por uma estrutura narrativa que passa quase imperceptivelmente da consciência de um personagem para a de um outro, do nível do ato e da fala para o nível da consciência e do pensamento”, descreve o tradutor.

“A vida da consciência é uma vertigem, é uma trama sem muito nexo. O estilo de Virginia vai atrás (ou junto): é uma vertigem só. É preciso se segurar para não cair. Ou se perder”, complementa.

Comentários

Precisa de se registar para aceder aos comentários.

Voltar

Top 10 de vendas

Novidades

Questão

Qual a secção do Portal da Literatura de que mais gosta?

Livros 43.31 %
Poesia 17.83 %
Também Escrevo 14.65 %
Escritores 11.46 %
Pensamentos 4.46 %
Adivinhas 2.55 %
Editoras 2.55 %
Provérbios 1.91 %
Vídeos 1.27 %

157 voto(s) até ao momento

Para poder votar é necessário estar registado no Portal da Literatura.
Registe-se

Este website contém 2779 autores e 6792 obras.