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Poema e Poesia de Maria Teresa Horta

Desvia o mar a rota 
do calor 
e cede a areia ao peso 
desta rocha 

Que ao corpo grosso 
do sol 
do meu corpo 
abro-lhe baixo a fenda de uma porta 

e logo o ventre se curva 
e adormece 

e logo as mãos se fecham 
e encaminham 

e logo a boca rasga 
e entontece 

nos meus flancos 
a faca e a frescura 
daquilo que se abre e desfalece 
enquanto tece o espasmo o seu disfarce 

e uso do gozo 
a sua melhor parte

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