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Poema e Poesia de Fernando Namora

Vontade
Fernando Namora

Clandestinidade

Secreto me acho 
e secreto me sentes 
quando 
secreto me julgas, 
Impuro me reconheço 
quando 
o nosso silêncio 
são vozes turbas. 
Dúbio é o desejo 
quando 
não é transparente 
a água em que se deita 
precavidamente. 
Clandestinos somos 
quando 
o que somos 
teme a face que pesquisa. 
Os olhos são claros 
quando 
a superfície do espelho 
é lisa. 

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