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Poema e Poesia de Fernando Namora

Onda que vais morrendo em nova onda, 
mar que vais morrendo noutro mar, 
assim a minha vida se desprenda e do meu sumo 
escorra a vida para as bocas que se finam 
de desejar. 

Ó dia que vais escoando como os rios 
e empalideces rostos e cabelos, 
traze a palavra para a incerteza 
dos que vagueiam à deriva; 
a bandeira amarela se rasgue 
e dos farrapos se gere outra cor. 

Ó dia correndo e findando, 
some-te lá no cimo da fraga 
mas deixa que no teu rasto fique o sangue 
anunciando a esperança noutro dia. 

Sê como a onda que morre para outra começar. 

Em "Mar de Sargaços"

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