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Hotel Luxor


Coitadinho do contador de histórias. Hoje em dia, eu não quereria estar na sua pele. Atravessar o oceano infindável das belas palavras como se não as visse nem escutasse, acossado pela ideia de ter de perseguir os nexos escondidos entre os desejos e os actos, essa tarefa sem pausa nem repouso própria de um cão pisteiro, a quem mal entregam o cheiro de um lenço, logo lhe pedem os últimos passos dum viajante, afigura-se um ofício por demais trabalhoso, sem hipótese de celebração ou reconhecimento. Pobrezinho dele. Precisamente, no dia de hoje, eu não quereria ter a sua sina.

Perseguir esse ofício de inspector selectivo e disciplinado, ter de ir, de cronómetro em punho, ao encontro dum abraço inicial quando tudo de quanto se dispõe é duma acusação de homicídio, ou vice-versa, saltando de caso em caso, tecendo página a página, metodicamente, o distúrbio e o laço, o nó e o desenlace, o enigma e o seu sobejo, exercer essa tarefa de detective esforçado em busca duma clarificação escassa, ou dum imbróglio artificiosamente desfeito, isso eu não quereria, não. Hoje, precisamente, que estou chegando a esta cidade tropical tão farta de sol, e a orla das suas baías parece conter a síntese de todos os matos luxuriantes que houve no mundo, vento lento e brisa morna, trinta graus como se fosse a hora do Génesis, o Génesis de quando ainda não havia maçã nem serpente, nem arbusto nem palavra, precisamente agora, que o boeing 747 há umas boas duas horas lá ficou a descansar na pista, e a Avenida Atlântica já oferece o seu serpenteado ao táxi, e o Hotel Luxor é o lugar procurado no mapa da cidade para descansar, precisamente agora, como se fosse per seculum seculorum, eu não quereria estar no papel dos infelizes contadores.

Esses desgraçados que têm os olhos vermelhos de tanto procurarem destinos verbais escondidos, os músculos dos braços inchados de tanto esgaravatarem indícios submersos no fundo dos poços, pobres deles, leio-os e admiro-os, desejo-lhes muita sorte e reforçado talento, mas hoje, muito em particular, não quero estar a seu lado, nem fazer parte da sua algazarra de actos. Já o disse, daqui em diante, quero ter a serenidade do não contador, a calma própria de quem vive alojado entre o verbo e a árvore, deixando fluir a modorra para ser livre de não criar esse toque a rebate que se inicia com as duas pancadas na porta, Era uma vez uma coisa, e assim começando, nem mais se descansa, antes de se chegar ao Fim. Jurei isso a mim mesma, muito antes de descer no aeroporto da Cidade Maravilhosa.

Aliás, agora já entrámos em território de Copacabana, já estamos diante do Hotel Luxor, já a sua fachada se ergue entalada no meio dos outros edifícios, já as árvores parecem de vinil, já os empregados trajados de branco se dirigem para o táxi, já o quépi de um deles tem a sua mão colocada na aba como se eu mesma fosse uma infanta a quem se deve esse gesto condicionado, já os outros táxis que entretanto chegam se abrem e a todos colocam em terra com cerimónia, e os charriots se aproximam, e em cada rodinha esses carrinhos dizem boas-vindas, boas-vindas, chegaram os mil milionésimos clientes deste hotel que vos receberá como príncipes. E o lobby oferece a atmosfera dos acolhimentos distintos, os que embalam o nosso desejo de chegar ao desconhecido e fazer dos seus objectos, seres  da nossa comitiva privada para sempre. Então sim, eu tenho a certeza que a minha decisão é legítima, posso respirar calmamente, estou liberta de toda e qualquer tentação de querer contar. Como qualquer mortal em férias, só quero a luxúria de existir. Existir em paz. Tal como o terço da Humanidade que se desloca à volta da Terra, pretendo turisticamente que se produza a aventura, sem nada acontecer. A prova é a voz harmoniosa da rapariga que recebe o grupo. Tem grandes olhos amendoados, os lábios vermelhos são carnudos, e à esquerda e à direita, a todos pede, solícita – “Por favor, tenha a bondade de preencher o formulário...” E uma vez preenchido, a bela acrescenta - “E agora o seu cartão, por gentileza, senhores...”

“A senhora, por gentileza...”

Também eu apresento o meu cartão, um Gold com a minha própria fotografia, onde está estampado o meu seguro de vida financeiro. Espero em pé, descansada, a manigância das máquinas do reconhecimento a reconhecer, e a rapariga a franzir por um momento o lindo rosto, a hesitar, a conferir, e eu a recear que alguma coisa no arcabouço do não-acontecimento possa oscilar, e alguma coisa possa de facto acontecer, mas não, aí está a bela a devolver-me o cartão, a olhar-me nos olhos e a dizer-me como aos demais – “Tudo bom, tem o elevador em frente. Por gentileza, senhora...” Felizmente que assim é. O episódio que eu receava desvaneceu-se antes de se produzir, nenhum impedimento ronda a minha vida, nenhum entrave existe à livre circulação do meu corpo, ou do meu crédito, nenhum facto que mereça a menção de um dado de história com interesse. Grande, grande descanso. Não caminharei mais pelo mundo como o contador de histórias. Já o disse, não quero mais entrar na roupa do seu fato, nem habitar a vulgaridade da sua pele. Como os meus companheiros de viagem, atravessei o Atlântico mas não tenho qualquer tipo de pressa em atravessar o hall do hotel. Distribuídos os aposentos aos meus companheiros, posso mesmo ficar na cauda dos visados e aguardar em paz a minha vez. Nenhuma aventura, nenhum incidente me espera. E mesmo quando eu vejo que a rapariga hesita, que tem a possibilidade de me entregar o 105 ou o 182, ela olha-me, sorri e entrega-me a segunda chave, como quem condescende diante duma tentação, e recomenda – “Último andar. Por gentileza, tem os elevadores em frente...” E um rapagão empurrando um carrinho já se aproxima, já me toma as malas, arruma-as no meio da carga com a delicadeza de quem empilha flores, e depois avança pela lobby fora, como se empurrasse embalagens de ovos, e eu espero pelo elevador central, carregado de gente, mas chego ao décimo oitavo piso já sozinha, e aí sigo pelo corredor adiante, e procuro a minha porta, e já lá se encontra o rapaz, e ele entra no quarto, e pousa a bagagem, e liga o televisor, e eu deposito-lhe na mão uma moeda, e ele fá-la desaparecer numa dobra da sua farda branca de neve como se fosse um mágico a fazer desaparecer o coelho, e ele mesmo desaparece na porta, a sorrir, e nada aconteceu, nem vai acontecer, a cama é larga, o recinto é amplo, diante está o mar, eu repito a palavra mar várias vezes, e nada aconteceu. Nada, nada aconteceu, tal como eu sonhei, eu que não quero que nada aconteça para não voltar a ter a tentação de narrar, essa tarefa que esfrangalha a vida mental dos pobres infelizes que se transformam em contadores de histórias. Pois como disse, de hoje em diante, eu não quero mais ocupar esse lugar.

Não quero, não desejo. Não posso.

Pelo contrário.

Uma vez trancada a porta, e delimitado o meu espaço, confirmo - É aqui mesmo, na penumbra do quarto, que eu quero ficar. Depois de nove horas de voo, o sono é um imperativo demasiado tentador. Fechar os olhos sob este tecto alugado é tudo o que eu desejo para ser completa. A completude provém deste cansaço que me coloca em posição mortal. As malas podem permanecer fechadas e jazidas onde o rapaz as largou. Nada existe dentro delas indispensável à minha sesta de chegada. Já combinei comigo mesma. Se o telefone tocar, não levantarei o auscultador. Se alguém vier bater à porta, não hei-de ouvir. Se esse alguém chamar pelo meu nome, não responderei. O grupo poderá reunir-se antes de todos partirem para o Restaurante Frutos-do-Mar, como ficou combinado, que eu não hei-de jantar com ninguém, e ninguém terá por mim a fome que eu não tenho. Na pior das expectativas, existem frutas num prato que alguém colocou junto às flores em cujo celofane está pendurado o meu nome. Tenho algumas horas para dormir. Quantas horas? Duas, cinco? Cem horas? Um século para dormir? Dois séculos para acordar? Ou não acordar nunca, para não ter a tentação de contar como dormi durante séculos, durante toda uma tarde, em terreno tropical?

Ah! Sim. Bom mesmo é dormir sem expectativa nenhuma, suprema felicidade é poder descansar sem nada nos pesar como dever. A elegância sempre foi um acto de pausa. Pensando nisso, sinto-me elegante por dormir, sinto-me elegante por não chegar a dormir, sinto-me elegante por acabar por levantar-me aos tropeções, quarto fora, na direcção da janela, sem ter dormido e sem ter acordado. Elegante por não levantar o auscultador, não responder a quem vem plantar dois toques, um tanto agressivos, na porta do meu quarto. Sinto-me distante, separada do mundo, enrolada no prazer de me isolar do tempo, do lugar, da acção, dos factos, dos rostos, das nomeações, das identidades. Sem acontecimento. Envolvida no prazer de começar finalmente a abrir as malas, e saber que lá fora a tarde está a cair como cai nas zonas tropicais. Perfeita. Copacabana líquida, morna, salubre como o lugar de onde o primeiro humano saiu sobre dois pés. Perfeita. Copacabana glamourosa, intensa, cheia de dança duma cintura que está entre a terra e o céu, e eu vejo tudo isso agora, debruçada da janela ampla, agradecendo àquela rapariga da recepção que hesitou entre dar-me e não me dar o último quarto livre no último piso do Luxor, de onde agora mesmo eu avisto a praia de lés a lés, e me envolvo com este sol cor de chá, descendo no horizonte onde irá mergulhar evanescente como um disco voador. E o mar em baixo está ondeado, pode-se ver desta alta janela que me destinou aquela linda moça. O mar, exactamente da mesma textura líquida do céu, com ondas cheias, sobre as quais flutua uma película brilhante que parece azeite. Ondas bem espaçadas, bem sortidas. Ondas sem espuma, que fluem e refluem ao acaso, sem direcção definida, e ainda está gente na praia. Maravilhosa rapariga, aquela que me destinou este quarto onde é possível uma pessoa suspender a vida, agora que escurece. E assim, sem qualquer hipótese de conto ou acontecimento, vejo os últimos banhistas abandonarem a praia, vejo-os nitidamente, ainda que as cores a cada minuto escasseiem. Em paz. Lá vêm agora pequenos grupos dispersando-se pela areia deserta, desaparecendo em seguida na via pública. Desaparecendo. Assim é que eu amo as praias, assim mesmo, sem barco nem banhista, sem ninguém que se nomeie. Vendo-as a partir de cima, tal como um pássaro vê. Desconfio que nasci para esta hora do dia, para este local de pausa, a minha mãe deu-me à luz para eu me debruçar da janela deste hotel, e ficar a ver Copacabana de perfil, depois de não ter dormido nem ter acordado, diante duma praia que escurece.

E no entanto, o areal ainda não ficou deserto.

Não ficou deserto porque há sempre quem ame demasiado esta absurda hora do anoitecer, tal como eu, e a prova é que alguns transeuntes, agora mesmo, abandonam a linha do calçadão e dirigem-se para a água. Belíssimo. São três vultos, três pessoas que desenham o percurso inverso, praia fora. Por certo, pela forma como de momento correm na areia e se atiram às ondas, são rapazes. Belíssimo. O mar azul cinzento a escurecer, em tons de verde, umas luzes de vermelho crepuscular, alguma coisa de negro também lá anda, naquele mar, mas negras, negras mesmo, são agora as três cabeças emergindo da água. Belíssimo. Não tenho dúvida, são três rapazes nadando entre as ondas espaçadas, ondas altas, por acaso. Quando uma delas mais volumosa se aproxima, os três rapazes desaparecem por completo. Depois emergem. Não estão sós. Belíssimo, belíssimo. Do lado de cá, os candeeiros já estão iluminados, e eu não sei o que se pode fazer diante de tanta beleza. Daqui, do alto de onde os avisto, eu quereria ser alguma coisa que pudesse desdobrar-se em vários, ficar imóvel nesta janela, e ao mesmo tempo descer àquele mar, para experimentar a água do crepúsculo, tal como os três rapazes que lá andam. Tudo para sentir, nada para contar. Nova onda, e eles desaparecem, e eles aparecem. E agora os três pontos escuros avançam mar adiante, imagino que tenham nascido para nadar, imagino que formem um grupo unido, pela liberalidade de cortar as ondas. Lá vão elas, as três cabeças em linha recta, quase unidas, e agora um deles inicia o regresso, é o do meio, os outros dois também. Seguem o movimento do primeiro. Belíssimo. Agora unem-se, desunem-se, envolvem-se em espuma, talvez brinquem dentro de água, talvez imitem os golfinhos, aparecendo e desaparecendo, à superfície.

Aliás, neste instante mesmo, uma onda aproxima-se, e os três desaparecem. Muito belo. Incrível, como sabem mergulhar os três rapazes.  Agora só duas cabeças surgem à tona de água, e as duas cabeças viram-se no sentido da terra e os dois nadam. Os dois nadam. Nadam, nadam. Debruçada da janela, estou aqui, e estou só à espera que o terceiro emirja também. Mas a terceira cabeça não emerge. Talvez a criatura tenha nadado debaixo de água e vá surgir mais adiante, ou onde menos se espera. Varro com o olhar toda a zona de mar que é possível avistar da janela, e só dois continuam a nadar, rapidamente, na direcção da terra. Espanto. E o terceiro? Onde ficou o terceiro? Porque não surge a terceira cabeça? O meu coração conta – Um, dois, três, quatro, cinco segundos. Vai aparecer, não pode deixar de aparecer. É preciso ser escrupuloso. À vista não existe nenhum barco, nenhum sinal que possa indicar que um terceiro elemento esteja no mar. E no entanto, aqueles dois já regressam. Regressam sem reticência nos movimentos, distingo-os bem, vêm nadando lado a lado. Como é? - Enquanto o terceiro não aparece, entretenho-me a imaginar absurdos, coisas descompostas próprias de antigos narradores de histórias. Imagino, por exemplo, que mal tomem pé, os dois nadadores corram pelo areal fora, com tudo o mais que isso implica, mas só imagino esse acidente porque sou perversa, e não é isso de modo algum que vai acontecer. Ridículo. Tenho a imaginação atravessada por essa espécie de antecedência, apenas porque à vista desarmada um elemento falta. Insisto. Eram três os rapazes, não me enganei, contei sem contar, mas sei que entraram os três, saltitando, dois à frente e um atrás, os três em fila.  Sempre três. E agora regressam dois. Não pode ser. Há alguma coisa de extravagante neste passo. Aliás, se eu fosse ainda um verdadeiro contador de histórias, a minha perversidade levar-me-ia a imaginar que um deles não iria voltar a terra, nunca mais. Mas não sou.

Não quero ser. A realidade não está armadilhada como o contador imagina. O contador vendeu a alma ao diabo antes de nascer e não se lembra. O diabo encontra-se a circular nas auto-estradas do seu sangue. É por isso que o diabo nesta hora deslumbrante do crepúsculo, enfuna um delírio e faz antever uma imagem inexistente. É desta malícia que eu me quero desprender, é precisamente diante deste mar maravilhoso, cor de azeite, que eu quero começar a emendar o meu olhar. Jurei a mim mesma que assim seria. Haja o que houver, o terceiro rapaz tem de surgir do mar para consolar a minha vida ainda sob suspeita. Vou criar um espaço de espera que me devo. Maldita seja eu. Levanto-me, debruço-me mais, conto de novo um, dois, três, cinco, dez, espero.

No entanto, diante dos meus olhos, o que eu imaginei está a acontecer.

 Milimetricamente.

Ali estão eles. Os dois nadadores nadam rápido, distinguem-se pelo movimento angular dos braços, nadam em linha recta, na direcção da orla. Uma vaga ajuda e empurra-os na direcção da areia. Tal como eu pensei, saltam nas ondas chãs da rebentação, e sem se virarem, correm pela areia fora na direcção da via pública. Um deles ainda tropeça, mas logo se levanta, recupera a fuga, e em menos de escassos segundos, entram ambos na zona do passeio e desaparecem. No mar escurecido, não existe um único ponto à vista que possa ser uma cabeça humana. Como pôde isto acontecer? Como?

Já o crepúsculo se fechou sobre a praia, o céu e o mar já se confundiram a caminho da noite, e ainda eu me encontro pendurada à janela. Tudo quanto se avista é escuro. De repente, quando nada o faria prever, transformei-me numa testemunha involuntária, paralisada no escuro. Regresso da noite para o quarto. Meu Deus! Onde está o telefone? Que número discar? Onde se encontra o interruptor? – De súbito todas as lâmpadas do quarto se iluminam, mas nada consegue apagar a imagem do mar para onde se dirigiram três pessoas e de onde regressaram duas. Nada de nada. Talvez eu deva descer pelo elevador e procurar a rapariga que me distribuiu o quarto. Rápido, é preciso fazer qualquer coisa, porque um dos rapazes não voltou. Muito rápido. De súbito, imagino uma lancha veloz, um helicóptero sobrevoando a zona. Nadadores-salvadores mergulhando no local, sob um foco de luz. Muito rápido. E no entanto, todos os elevadores demoram mais do que o previsto. Esta é a hora em que eles sobem e descem carregados de gente que se dirige aos restaurantes. Há pessoas que param de portas abertas para falarem de chaves e écharpes.  Há hóspedes que paralisam o elevador sem se saber como, quando afinal uma pessoa acaba de se desaparecer no mar, ali mesmo em frente. Como é que ninguém sabe? Ninguém viu? A rapariga bonita não saberá de nada?

Nada de nada?

Ali está ela. A rapariga levanta os olhos, tão surpreendida quanto eu.

Se está surpreendida, é preciso explicar-lhe - “Eu vi, juro, entraram no mar três rapazes, e regressaram dois. Eu vi tudo a partir do meu quarto, décimo oitava andar. Tão certo como estarmos aqui a falar, e estarmos vivos...”

“Garçons?”

Dois colegas da rapariga aproximam-se do balcão e eu explico-lhes que houve um homicídio, e conto de novo as circunstâncias, mas os três olham-me bastante incrédulos, um deles até sorri. Esse mesmo inspecciona a grande atmosfera que se estende a partir da portaria, a grande paisagem tropical aberta diante do Hotel Luxor, fechada pela noite, e regressa ao balcão, enquanto a realidade se vai desprendendo do tecto, das madeiras, dos sofás, do riso complacente dos garçons  para com a minha pessoa, que eu sinto esbracejar ridiculamente no meio do hall. A realidade. De facto, diante da calçada estende-se o infinito mar, e a vida breve é mesmo a vida breve. A linda recepcionista ainda traz água num copo e balbucia palavras desconexas - “Fique bem, senhora. Já ligámos para a delegacia. Precisa que a acompanhe ao quarto? Por gentileza, o elevador é além ...”

 Sim, as luzes cálidas do lobby ofuscam por completo a massa de água em frente. Vendo bem, agora mesmo, a Terra ficou reduzida a um farrapo. Só existe um barco com remos para o outro lado do mundo. Preciso de alcançar, rapidamente, essa branca folha de papel.

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