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Raízes


Deana Barroqueiro

2020-03-20 11:03:49

Luís Vendeirinho

2020-03-16 10:46:49

Nuno Camarneiro

2019-12-20 10:19:10

O meu pai estacionou a Renault 4L na berma de um caminho de terra e fomos os três (eu, ele e o meu irmão) para o meio do pinhal. Tínhamos um serrote com o cabo de madeira pintado de azul e pouca, ou nenhuma, consciência ecológica. Um pinheiro era um pinheiro, queria-se gordinho, de estatura mediana e frondoso, para que pudesse suportar as fileiras de luzinhas que haveriam de acender e apagar durante 2 ou 3 semanas num canto da sala iluminando uma certa ideia de Natal.

Os sapatos humedecidos da areia molhada, o cheiro a resina, as mãos que colavam, os corpos encolhidos nos bancos rebatidos enquanto as agulhas nos picavam.

Estavam ainda todos vivos, o avô Joaquim, a avó Saudade, o avô Lucílio, a avó Zulmira, a bisavó Diamantina e a nossa mãe Olívia. Um nome demasiado lindo para uma vida amputada.

Passaram muitos anos e tenho quase a idade que ela tinha. O Natal que nós vivíamos, sem saber do que se tratava, é agora explicado ao pormenor em todos os anúncios a perfumes e relógios e brinquedos de plástico – Família, união, solidariedade, partilha e outras merdas que não querem dizer nada porque não cheiram a resina nem cheiram a nada.

Já ninguém corta uma árvore com um serrote, porque as árvores ardem no Verão e preferimos enfeitar plástico com plástico, desembrulhando a cada ano um pouco do petróleo em que nos havemos de tornar.

Mas isto sou eu, que não tenho filhos nem compro brinquedos e, ainda assim, aceito convites para escrever contos de Natal.

“Uma vez deram-me de presente uma trança de cebolas porque não havia mais nada”, disse o meu pai. Não havia Pai Natal, só o menino Jesus, e era muito mais pobre.
A primeira vez que fumei foi com o meu avô, que me passou um charuto numa noite de Natal. “Quando eu morrer vou levar um pau para dar com ele no diabo, do Inferno não me livro, mas vou vingado”. O meu avô foi sempre o meu herói, até ao dia em que o levei para o hospital de onde nunca mais saiu.

O fogo ardia de manhã à noite e nós chegávamo-nos a ele. Estávamos ainda todos vivos e chamávamos-lhe Natal.

Pepetela

2019-12-16 11:08:13

Miguel Real

2019-11-18 10:44:22

Mário Lúcio Sousa

2019-09-16 11:44:35

Ana Cristina Silva

2019-08-21 10:30:18

Pepetela

2019-07-09 08:30:00

Mário de Carvalho

2019-04-22 11:06:42

Miguel Real

2019-04-16 15:55:48

Lídia Jorge

2019-01-28 10:00:18

João Morgado

2019-01-18 11:05:09

Deana Barroqueiro

2018-12-31 10:16:57

Miguel Real

2018-12-26 13:49:49

Ana Cristina Silva

2018-09-21 17:16:29

Lídia Jorge

2018-07-04 10:37:24

Nuno Amado

2018-05-24 12:15:00

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