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Folheando com... Maria Teresa Horta


Maria Teresa Horta

2009-03-31

Descubra aqui a mais recente entrevista do Portal da Literatura: Maria Teresa Horta.

Maria Teresa Horta, o erotismo é uma marca da sua poesia. A emancipação da mulher, uma outra. Pode dizer-se que houve sempre da sua parte a necessidade de exaltação da beleza e das capacidades de sedução exercidas pela mulher? 

Primeiro, não gosto de falar de emancipação da mulher e sim de libertação. Segundo, acho que não há esse lado na minha poesia, o que existe é uma escrita veementemente feminina, uma desobediência, uma audácia desde sempre interdita às escritoras, às poetisas. E como a minha poesia sou eu, ou se quizer, eu sou aquilo que escrevo, e sou feminista, é natural que o feminismo faça parte, de uma forma subjacente, de todo o meu trajecto poético, mas nunca de forma panfletária, primariamente militante.

E quanto à exaltação da beleza e das capacidades de sedução das mulheres?

Isso das capacidades de sedução das mulheres vai, inevitavelmente, ter à imagem da mulher fatal, um dos mais arreigados estereotipos de sempre... Afinal, os homens também possuem capacidades de sedução, só que isso nunca é apresentado como um seu traço importante, marcante. Mas, neste caso, prefiro referir antes a assombrosa capacidade de sedução da poesia. Quanto à beleza, em si mesma, foi e será sempre um dos maiores desafios da minha escrita.

A pergunta não é nova porque as respostas são sempre interessantes: quando é que sentiu o impeto da escrita, em geral, e da poesia em particular?

Comecei a tentar escrever ficção mal aprendi a escrever, por volta dos meus seis anos. Anteriormente eu já inventava histórias, mas como se fossem acontecimentos reais. A poesia chegou na minha adolescência, por volta dos meus treze anos.

Lembra-se do seu primeiro poema?

Lembro-me muito bem, era um longo poema romântico, que eu fiz sentada na mata do Buçaco, para onde fora passar o fim-de semana, com o meu pai e as minhas irmãs. 

A Maria Teresa tem uma obra multifacetada. Podemos saber o que mais a influenciou ao longo dos anos?

Sou desde muito pequena uma leitora compulsiva, dependente, ler dá-me um prazer tão grande, que estremeço de antecipação quando pego num livro!  Portanto, ao longo destes tantos anos que tenho de leitura, muito dela foi-me por certo marcando.

Podemos saber quem foram os autores que mais a marcaram?

É difícil escolher uns em detrimento de outros...  Mas, como tenho vindo a dizer, Simone de Beauvoir mudou o rumo da minha vida com “Le Deuxième Sexe”; Marguerite Duras mudou a minha ficção com a sua obra;
Emily Dickinson propôs-me a quebrar os limites com os seus poemas; Sylvia Plath deu-me a ler a queda e a vertigem da poesia; Emily Brontë desencadeou diante dos meus olhos as ondas inquebrantáveis da paixão, sem o medo do fogo; Judite Teixeira mostrou-me a coragem de se ser frágil; Hildegarda de Bigen explicou-me o poder da visão e o voo das asas; Teresa de Ávila alumbrou aquilo que escrevo, com os seus êxtases; Virginia Woolf ensinou-me o rigor da escrita e o poder das vozes, Anna Akhmátova a solidez da linguagem e Marina Tsvétaïeva o desvario do imaginário.           

O que tem lido nos últimos tempos?

Como sempre, tenho lido o mais que consigo: ficção, ensaio, muita poesia. Neste momento, especialmente, os poemas, as cartas, os textos da Marquesa de Alorna, e de outras escritoras do seu tempo, como Catarina de Lencastre, Teresa de Mello Breyner, Teresa Isabel Forjaz...

Quem a conhece sabe que tem vários projectos em curso e que a criatividade continua a brotar a cada dia que passa. Quer falar-nos dos seus novos planos?

Tenho múltiplos projectos, sim, e alguns até já concluidos, como é o caso do novo livro de poesia «Poemas do Brasil», a ser lançado em Setembro deste ano em São Paulo e Natal durante o Congresso Mulher e Literatura, onde serei homenageada. Por outro lado, estou a terminar o romance «As Luzes de Leonor», baseado na vida da Marquesa de Alorna, minha penta avó. Tenho também um outro livro de poesia «As Palavras do Corpo», em fase de organização, um volume de contos «As Meninas», em fase de escrita, e ainda projectos em conjunto com o compositor António Sousa Dias e, muito provavelmente com o compositor António Chagas Rosa, com quem já trabalhei.   

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