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Honoris causa para Lídia Jorge no dia da Universidade do Algarve
A sessão solene do dia da Universidade do Algarve, a 15 de Dezembro ficará marcada, este ano, pela atribuição do grau de Doutor Honoris Causa à escritora Lídia Jorge, no Grande Auditório do Campus de Gambelas às 16h30.Exposição “Dia dos Prodígios” inaugurada hoje.
A Universidade do Algarve associa-se assim à homenagem à escritora que está a ser organizada por Loulé, a sua terra de origem, ao longo de todo o ano de 2011.
“Lídia Jorge, homenagem a uma escrita de prodígio” decorre no trigésimo aniversário da publicação do livro de lançamento de Lídia Jorge, O Dia dos Prodígios e serve de mote às iniciativas.
Entre estas conta-se a exposição “O Dia dos Prodígios. Lídia Jorge. 30 anos de Escrita Publicada”, que será inaugurada no sábado, dia 12 pelas 15h00, no Convento de Santo António, e contará com uma breve apresentação de José Carlos Vasconcelos. A mostra estará patente ao público até 31 de Março. “Existe uma Escrita do Sul?” é o tema de um Encontro com Escritores do Algarve agendado para 11 de Janeiro de 2011, pelas 18h00, no Convento de Santo António. Participam neste evento, além de Lídia Jorge, Nuno Júdice, Gastão Cruz e Fernando Cabrita. A moderação está a cargo de Carina Infante do Carmo, docente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS) da Universidade do Algarve. Já o Cineteatro Louletano receberá a 20 de Fevereiro de 2011, às 16h00, a exibição do filme “A Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso, realizado a partir do romance homónimo de Lídia Jorge. É também no Cineteatro que a Orquestra do Algarve sobe ao palco a 26 de Fevereiro, às 21h30, para apresentar o concerto “30 anos de Escrita Publicada. Lídia Jorge”. João Minhoto Marques, docente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, participará, com António Carlos Cortês e Paulo Serra, na conferência “A Escrita de Lídia Jorge aos Olhos da Crítica Literária”, agendada para 11 de Março, pelas 18h00, no Convento de Santo António. A moderação será feita por Petar Petrov, também docente da FCHS. Às 19h00 do dia 18 de Março, o Convento de Santo António, acolherá um Encontro de Tradutores Literários, que será moderado pelo vice-reitor da Universidade do Algarve, Pedro Ferré. “Será que o nosso Imaginário Interessa aos Europeus?” é o tema desta iniciativa que contará com as participações de Karin von Scweder e Pierre Léglise Costa. O encerramento das comemorações, organizadas pela Câmara Municipal de Loulé, acontecerá às 21h30 do dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, com a apresentação da peça “O Dia dos Prodígios”no Cineteatro Louletano. Com encenação de Cucha Carvalheiro e direcção musical de Carlos Mendes, este espetáculo do Teatro da Trindade tem no seu elenco Elisa Lisboa, Diogo Morgado, Filomena Cautela, Luís Lucas, Maria Emília Correia, entre outros. O Dia dos Prodígios e alegoria do cinzentismo nacional O Dia dos Prodígios romance publicado em 1980, conta a história de catorze habitantes de uma aldeia algarvia isolada que um dia são marcados pela visão de uma serpente voadora que os obriga a dividir o tempo. O Dia dos Prodígios é uma alegoria ao país fechado e parado que Portugal era no tempo do Estado Novo. O lançamento desta obra foi um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da Literatura Portuguesa. Lídia Jorge foi então saudada como uma das mais importantes revelações das letras portuguesas e como uma voz renovadora do imaginário romanesco. Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge estreou-se como escritora no romance, revelou-se no conto, passou pelo teatro e envolveu-se na história infantil. Também experimentou a poesia e consagrou-se na prosa, tendo emprestado a voz às palavras escritas, declamadas e cantadas. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, foi professora do ensino secundário e leccionou Didáctica da Literatura na Universidade de Lisboa. Como professora, passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, durante o último período da Guerra Colonial. A passagem por África foi um dos grandes contributos para a sua criação literária. O Dia dos Prodígios (1980) foi o seu primeiro romance. Seguiram-se O Cais das Merendas (1982) e Notícia da Cidade Silvestre (1984), ambos distinguidos com o Prémio Literário Cidade de Lisboa.
Mas foi com A Costa dos Murmúrios (1988) que a autora confirmou o seu destacado lugar no panorama das Letras portuguesas, sendo hoje considerada como uma das romancistas de maior sucesso na literatura portuguesa contemporânea. Recebeu vários prémios literários, entre eles o Prémio Dom Dinis da Casa de Mateus, o Prémio Pen Clube de Portugal, o Prémio Jean Monet da Literatura, o Prémio Correntes d’Escritas e o Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.
Em 2006, a autora foi distinguida na Alemanha com a primeira edição do Albatroz, o Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass, atribuído pelo seu livro O Vento Assobiando nas Gruas, também distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.
Em Novembro de 2007, com o romance Combateremos a Sombra, ganhou o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/Millenium BCP.
Os seus livros encontram-se também publicados no Brasil, estão traduzidos em diversas línguas (inglesa, francesa, alemã, holandesa, espanhola, sueca, italiana e grega) e constituem objecto de estudo nos meios universitários portugueses e estrangeiros, tendo-lhes sido dedicadas várias obras de carácter ensaístico. É colaboradora de vários jornais e revistas e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
(in observatoriodoalgarve.com)
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