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Poema e Poesia de Natália Correia

Mulher
Natália Correia

Mocinhas gráceis

Mocinhas gráceis, fungíveis 
Mimosas de carne aérea 
Que pela erecção dos centauros 
Trepais como doida hera! 
Por ardentes urdiduras 
De Afrodite que abonais 
Passais como queimaduras 
E tudo em fogo deixais. 

Ofegar de onda retida 
Na ocupação epidérmica 
De serdes a exactidão 
Florida da primavera, 
Todas de luz invadidas, 
Soi, porém, as irreiais 
Bonecas de sol sumidas 
No fulgor com que alumbrais. 

Lá no fundo dos desejos 
Chegais macias e quentes 
Com violas nos cabelos, 
Nas ancas, quartos crescentes; 
Nas pernas, esguios confeitos, 
Na frescura o vermelhão 
De uma alvorada que rompe 
Em seios de requeijão. 

Enleais, mas de enleadas, 
Ó volúveis, ó felinas! 
Saltais fazendo tinir 
Risadas de turmalinas; 
E com as asas do segredo 
Que vos faz misteriosas 
– Pois sendo divinas, sois 
Do breve povo das rosas –, 
Adejais de beijo em beijo 
Já que para gerar assombros 
Vicejam as folhas verdes 
Que vos farfalham nos ombros. 

Ó doçaria que em línguas 
Acres sois torrões de mel, 
Quando idoneamente ninfas 
Vos vestis da vossa pele! 
Se a olhares venéreos furtar-vos 
Em roupas não vale a pena, 
Pois mesmo vestidas estais 
Nuinhas de graça plena, 
De esbelta nudez plantai 
Róseos calcanhares nos dias 
Fugazes, não vá Vulcano 
Levar-vos para sombras frias; 
Não sequem os anos corpinhos 
De aragem que os deuses sopram, 
Que os anos são os malignos 
Sinos que pela morte dobram. 

Mocinhas fúteis que sois 
Da vida as espumas altas 
Leves de não vos pesar 
O peso de terdes almas; 
Que essa força de encantar, 
Ó belas! cria, não pensa. 
Ser perdidamente corpo 
É a vossa transparência.

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