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Poema e Poesia de Alberto Caeiro

Poesia
Alberto Caeiro

Cesário Verde

Ao entardecer, debruçado pela janela, 
E sabendo de soslaio que há campos em frente, 
Leio até me arderem os olhos 
O livro de Cesário Verde. 

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês 
Que andava preso em liberdade pela cidade. 
Mas o modo como olhava para as casas, 
E o modo como reparava nas ruas, 
E a maneira como dava pelas cousas, 
É o de quem olha para árvores, 
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai 
andando 
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ... 

Por isso ele tinha aquela grande tristeza 
Que ele nunca disse bem que tinha, 
Mas andava na cidade como quem anda no campo 
E triste como esmagar flores em livros 
E pôr plantas em jarros... 

em "O Guardador de Rebanhos - Poema III" 

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