loading gif
Loading...

Poema e Poesia de Rui Manuel Correia Knopfli

Persigo-o no ininteligível arbítrio 
dos astros, na clandestina linfa 
que percorre os túrgidos corredores 
do indecifrável, nos falsos indícios 
que, de fogos fátuos, escurecem 

a persistente incógnita do nome. 
Em persegui-lo persisto onde, bem 
sei, não lograrei achá-lo, que nunca 
achado será em tempo ou espaço 
que excedam meu limite e dimensão. 

Um nome, ainda obscuro, pressinto 
no sal da boca amarga, Conheço-lhe 
o rosto familiar, desfocado embora, 
no halo do tempo e da distância. 
É, creio, a face indefectível de tudo 

quanto tenho de calar. Este nome 
(este rosto) habita-me silente, contra 
a recusa, a mentira, ou a calúnia. 
Na epiderme, nos nervos e na carne, 
sobre a língua e o palato, adivinho-lhe 

forma, sabor e propósito. Ouço-o 
dentro de mim, mau grado 
o queira ou não, que em mim 
só está sofrê-lo porque em mim 
vive e dura, enquanto eu dure e viva. 

E não por meu mal, que meu 
mal seria, mais que perdê-lo, 
sem ele viver. 
                           Um rosto persigo, 
um nome guardo no sal da boca 

amarga, na pedra árdua da memória, 
no discurso penosamente reiterado 
do sangue. Nenhum silêncio 
lhe dará cobro, nem fim que 
não sejam meu fim e meu silêncio. 

Rui Knopfli, in "O Corpo de Atena"

Voltar

Faça o login na sua conta do Portal