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Heraclito


535 a.C. - 475 a.C.

Biografia

Nasceu em Éfeso, cidade da Jônia (atual Turquia). Diógenes Laércio relata que "Heráclito, filho de Blóson, ou, segundo outra tradição, de Heronte, era natural de Éfeso. Tinha uns quarenta anos por ocasião da 69ª Olimpíada (504-501 a.C.). Era homem de sentimentos elevados, orgulhoso e cheio de desprezo pelos outros". Por seu desprendimento em relação ao poder e pelo desprezo que dedicava aos bens materiais, Heráclito não era simpático aos efésios, que eram exatamente o seu oposto. Foi, aliás, muito criticado por seus concidadãos quando conseguiu convencer o tirano Melancoma a abdicar para ir viver nos bosques, em livre contato com a natureza1 . Heráclito era acusado de desprezar a plebe, de se recusar a participar da política - essencial aos gregos) - e de desdenhar os poetas, os filósofos e a religião.




Diversos


Heraclito

Por admitir que todas as coisas correm como rios, Heráclito também foi
depreciado como filósofo chorão. Mas, o fato é que ele pensava que coisas
quentes esfriam, coisas frias esquentam; coisas úmidas secam, coisas secas
umedecem etc. A realidade, para este pré-socrático, acontece, então, não em
uma das alternativas (calor, frio, umidade, sequidão), que é apenas parte da
realidade; e, sim, na mudança ou, como Heráclito explicava, na guerra entre
os opostos. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim
é possível que os contrários possam existir: A doença faz da saúde algo
agradável e bom, ou seja, se não houvesse a doença, não haveria porque
valorizar a saúde, por exemplo. Ele ainda considerava que, nessa harmonia,
os opostos coincidem da mesma forma que o princípio e o fim, em um
círculo, ou a descida e a subida, em um caminho (o caminho a subir e a
descer é um e o mesmo).
Dizia também: a água do mar é a mais pura e a mais poluída; para os peixes,
é potável e salutar, mas para os homens é impotável e deletéria. O quente é o
mesmo que o frio, pois o frio é o quente quando muda (ou, dito de outra
forma: o quente é o frio depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar,
como se ambos, quente e frio, fossem versões diferentes da mesma coisa).
Resumindo tudo isto: inevitabilidade de mudança, pois, cada par de
contrários forma tanto uma unidade como uma pluralidade, já que pares
diferentes estão interligados.
Heráclito definiu, partindo de seus pressupostos (o Panta Rhei e a guerra
entre os contrários) uma arché, um princípio de todas as coisas: o Fogo. Para
ele, todas as coisas são uma troca do Fogo, e o Fogo uma troca de todas as
coisas, assim como o ouro é uma troca de todas as mercadorias e todas as
mercadorias são uma troca do ouro, ou seja: todas as coisas transformam-se
em Fogo, e o Fogo transforma-se em todas as coisas. Para Heráclito, o Fogo
condensado se umidifica, e com mais consistência torna-se Água, e esta,
solidificando-se, transforma-se em Terra e a partir daí, nascem todas as coisas
do mundo. Este é o caminho que Heráclito define como sendo para baixo.
Derretendo-se a Terra obtém-se Água. Água transforma-se em vapor, tal
como vemos na evaporação do mar. E rarefazendo-se o vapor transforma-se
novamente em Fogo. E este é o caminho para cima.
Tímon de Fliunte (320 a.C. – 230 a.C.), sofista e autor satírico do terceiro
século a.C., resumiu o pensamento de Heráclito como enigmático e definiu o
pensador jônico como aquele que se exprime por enigmas. Já de Cícero,
Heráclito recebeu a alcunha de obscuro, pois desprezava a plebe, recusou-se
a participar da política (que era essencial aos gregos) e tinha também
desprezo pelos poetas, pelos filósofos e pela religião, ainda que tenha
admitido que as práticas religiosas convencionais – ilógicas e insensatas –
possam conduzir, por vezes, acidentalmente, à verdade. Sua alcunha derivouse,
principalmente, devido ao livro (Sobre a Natureza) que escreveu com um
estilo obscuro, próximo a sentenças oraculares.
Sobre a vida de Heráclito, Diógenes Laércio relata: Heráclito, filho de
Blóson, ou, segundo outra tradição, de Heronte, era natural de Éfeso. Tinha
uns quarenta anos por ocasião da 69ª Olimpíada (504 - 501 a.C). Era homem
de sentimentos elevados, orgulhoso e cheio de desprezo pelos outros.
Retirado no templo de Ártemis, divertia-se em jogar com as crianças.
Acercando-se dele os efésios, perguntou-lhes:
— De que vos admirais, perversos? O que é melhor: fazer isto ou administrar
a República convosco?
E, por fim, tornado misantropo e retirando-se, vivia nas montanhas,
alimentando-se de ervas e plantas.
Utilizando geralmente de hipocrisia, Heráclito ridicularizava o conhecimento
dos médicos e dos físicos de sua época. Sobre as circunstâncias de como
ocorreu a sua morte, Diógenes Laércio assim nos conta: Hermipo, porém,
conta que ele (Heráclito) perguntava aos médicos se alguém podia,
esvaziando-lhe o ventre, expelir a água. Como negassem, deitou-se ao Sol e
pediu aos criados que o cobrissem com esterco. Assim deitado, faleceu no dia
seguinte e foi sepultado na praça pública. Neantes de Cizico afirma que,
tendo sido impossível retirá-lo de sob o esterco, lá permaneceu, e,
irreconhecível pela putrefação, foi devorado pelos cães.
 
Pensamentos:
Os olhos e os ouvidos são maus testemunhos quando a alma não presta.
 
A oposição traz concórdia. Da discórdia advém a mais perfeita harmonia.
 
Um homem tolo assusta-se a cada palavra.
 
Tudo se faz por contraste; da luta dos contrários nasce a mais bela
harmonia.
 
A verdadeira constituição das coisas gosta de se ocultar.
 
Para os seres despertos, há somente um mundo comum.
 
Panta Rhei! Tudo flui!
 
O caminho para baixo e para cima é um e o mesmo.
 
Imortais, mortais; mortais, imortais. A vida destes é a morte daqueles, e a
vida daqueles é a morte destes.
 
O relâmpago governa o Universo.
 
Muita instrução não ensina a ter inteligência.
 
Pois uma só é a coisa sábia: possuir o conhecimento que tudo dirige através
de tudo.
 
Mais do que o incêndio, é preciso extinguir a insolência.
 
Os que procuram ouro cavam em muita terra e pouco encontram.
 
É preciso que lute o povo pela Lei, tal como pelas muralhas.
 
Não conjecturemos à-toa sobre as coisas supremas.
 
Não compreendem como o que diverge consigo mesmo concorda: harmonia
de tensões retornantes, como de arco e lira.
 
Harmonia não-manifesta é superior à aparente.
 
Se não tiveres esperança, não encontrarás o inesperado, pois não é
encontradiço e é inacessível.
 
A única coisa que não muda é que tudo muda.
 
Não cruzarás o mesmo rio duas vezes porque outras são as águas que
correm nele.
 
Para Deus tudo é belo, é bom, e é justo; os homens, contudo, julgam umas
coisas injustas e outras justas.
 
O Uno – o único sábio – recusa e aceita ser chamado pelo nome de Zeus.
 
A Justiça saberá ocupar-se dos que tramam mentiras e de seus testemunhos.
 
É sábio escutar não a mim, mas ao meu discurso ('logos'); e confessar que
todas as coisas são Um.
 
Este mundo, igual para todos, nenhum dos deuses e nenhum dos homens o
fez; sempre foi, é e será um Fogo eternamente vivo, acendendo-se e
apagando-se conforme a medida.
 
As transformações do Fogo: primeiro o mar; e a metade do mar é a Terra, a
outra metade o vento quente. A Terra dilui-se em mar, e esta recebe a sua
medida segundo a mesmo lei, tal como era antes de se tornar Terra.
Em nós, manifesta-se sempre uma e a mesma coisa: vida e morte, vigília e
sono, juventude e velhice. Pois a mudança de um dá o outro e
reciprocamente.
 
Para as Almas, morrer é transformar-se em Água; para a Água, morrer é
transformar-se em Terra. Da Terra, contudo, forma-se a Água, e da Água a
Alma.
 
Assim como a aranha, instalada no centro de sua teia, sente quando uma
mosca rompe algum fio (da teia) e por isso acorre rapidamente, quase aflita
pelo rompimento do fio, assim a alma do homem, ferida alguma parte do
corpo, apressadamente acode, quase indignada pela lesão do corpo, ao qual
está ligada firme e harmoniosamente.

Fonte: Diversas

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