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Robert Kurz


1943 - 2012

Biografia

ilósofo, sociólogo e ensaísta alemão nascido em 1948. Robert Kurz é um filósofo que fundamentalmente defende nas suas teses o fim do emprego. Kurz diz que "não restará ao homem senão inverter o resultado do capitalismo e libertar-se do trabalho" e que a emancipação social não poderá fundamentar-se em tal conceito.
Kurz tem uma visão considerada por muitos de pessimista e até mesmo de catastrofista, apesar de ter uma argumentação lógica que encontra grande repercussão na Europa. Mas nem tudo é sombrio no discurso de Kurz, já que ele vislumbra um modo de trabalho menos opressivo, que contenha lazer e no qual as pessoas não sejam reduzidas às suas funções.
Parte de uma corrente de esquerda marxista tradicional para desenvolver uma nova abordagem na análise dos problemas contemporâneos. No centro das preocupações do seu pensamento encontra-se uma questão simples: "Porque é que, depois que inventaram as máquinas, as pessoas têm que trabalhar mais do que antes da existência delas?". Com esta questão, Kurz coloca problemáticas profundas da relação do homem com o trabalho, as quais nem o comunismo nem o capitalismo conseguiram responder de uma forma positiva.
"Nadando" contra a corrente, Kurz diz que a elevada concorrência que existe tem tendência a gerar uma deterioração nas relações humanas e que a revolução da informática representa um perigo para a sociedade por estar aliada a um sistema de produção que tende a criar cada vez mais desemprego.
Para Kurz, a separação de funções é um retrato da divisão do trabalho na sociedade capitalista e propõe que o tempo economizado pelo aumento da produtividade se transforme em qualidade de vida.
Aponta uma contradição entre uma suposta ontologia do trabalho inerente às formulações do movimento operário e o próprio "trabalho" como categoria social constituída pelo capital e subsumida à forma de mercadoria. A luta de classes poderia, assim, atingir no máximo a "emancipação capitalista dos trabalhadores", garantindo o reconhecimento dos seus direitos alusivos a cidadania, ao valor da força de trabalho e à "impessoalidade" como "máscaras de dinheiro".
A diminuição do trabalho abstrato, afirmada por Kurz, interpela toda a humanidade: a abolição do capital dentro do próprio capital é também o progressivo fim do sujeito histórico e da sua superação.
Defende os direitos de igualdade da mulher, considerando que a imagem patriarcal é a que persiste. Refere que este domínio masculino é uma questão social e não biológica, resultando de processos históricos. A mulher é responsável pela "dedicação afetiva e o homem é a figura exterior que se movimenta na ciência, na cultura e na política. Os capitalistas e empresários, assim como os políticos, ainda são sobretudo homens e a mulher que tenha uma profissão intelectual ou politicamente ativa não se consegue desenvencilhar das marcas sociais que lhe são imputadas pela cultura dominante masculina, e continua, em princípio, como responsável pela casa e pelos filhos nunca sendo levada a sério na economia ou na política. A percentagem das mulheres que consegue manter estas duas "carreiras" ao mesmo tempo é ínfima. Só uma reduzida minoria de "mulheres de carreira" pode dar-se ao luxo de uma tal ilusão, delegando o fardo da administração do lar, dos cuidados com os filhos, etc., a empregadas muitas vezes imigrantes, negras, e desprivilegiadas, que, por sua vez, deixam de ter tempo para os seus próprios filhos. A maioria das mulheres está demasiadamente sobrecarregada com a tarefa de responder, ao mesmo tempo, pelo dinheiro, pelas atividades domésticas, apesar destes aspetos estarem aos poucos a se modificar. Na pós-modernidade, o patriarcado não deixa de existir e acaba-se por se criar um mundo que transforma crianças em assassinos e psicopatas.
Organizador da revista Krisis , antiga Marxistische Kritik , e seu coeditor, é também autor entre outros de livros de O Colapso da Modernização - da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial , A Volta do Potemkin (Paz e Terra) e Os Últimos Combates . Lançou na Alemanha O Livro Negro do Capitalismo .
Escreve mensalmente na coluna de autor do caderno Mais , publicado pela Folha de São Paulo , no Brasil.
Um dos livros que suscitou muita polémica depois da queda dos regimes do leste europeu foi O Colapso da Modernização . Neste livro, Kurz pensa o "socialismo de caverna" como tributário da mesma lógica de valorização do capital referente aos países ocidentais.
Assim, a crise do Leste fez parte da crise mundial do capitalismo moderno. O que permite a Kurz proceder a uma metacrítica do sistema mundial produtor de mercadorias é a definição de fases monetaristas e estatistas, num movimento pendular ao longo de toda a história do sistema capitalista.

 

Robert Kurz in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-01-22 08:43:26]. Disponível na Internet: 



Livros escritos por Robert Kurz





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