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Folheando com... Rodrigo Guedes de Carvalho


A dificuldade de construir um romance

2007-10-10

Jornalista e escritor, Rodrigo Guedes de Carvalho acaba de lançar o seu quarto romance, Canário, que tem um preso como figura predominante. Numa fase de categórica afirmação enquanto escritor, o Canário serviu de tema à entrevista que se segue.

Quando abrimos o livro deparamos com a dedicatória que fez aos seus leitores. O que o levou a fazer esta dedicatória?

Tenho-me deparado com um número crescente de leitores que devoram toda a minha obra e que não percebem os que dizem que a minha escrita é difícil. Acho que lhes devia um livro.

Não resistimos à tentação de lhe perguntar, Rodrigo Guedes de Carvalho, em que medida é que este livro se junta aos anteriores, isto é, o livro Canário completa alguma parte dos outros três, num puzzle que o escritor vai preenchendo ao longo da sua escrita, ou é algo de novo sem ligações aos primeiros?

Para mim, algo de novo, a nível consciente. Não procurei qualquer ligação. Eventualmente o leitor sentirá uma aproximação de outro nível, de uma percepção de uma mesma mão que os escreveu.

Quer se queira quer não, o autor é influenciado por aquilo que vive e que lê. Quem lê o Canário fica muito provavelmente com curiosidade em conhecer as suas referências literárias. Pode falar-nos um pouco dessas referências? 

São inúmeras e não caberiam aqui. Há autores de quem leio tudo, há outros de quem só me interessaram alguns livros, ou um único.

O Canário é uma narrativa a várias vozes: a voz do prisioneiro e todas as outras. Sentiu dificuldade em fazer coabitar a voz do Canário com as outras vozes?

Claro. Essa é a dificuldade de construir um romance. Mas por ser difícil é tão estimulante. E por ser difícil é tão gratificante essa conquista final.

Achámos curioso e interessante que tivesse recorrido a letras de canções, colocando-as no início dos capítulos. Dado que o livro retrata uma história de violência, foi uma forma que encontrou para suavizar essa violência?

Não, de todo, não tem qualquer ligação. Gosto de experimentar aberturas diferentes para os capítulos. Ocorreram-me as músicas pelas letras, que acabam por dar o mote aos capítulos. Ou seja, a ideia é o capítulo corresponder ao trecho da música. E não sinto qualquer necessidade de suavizar a violência. Passe o pleonasmo, a violência é violenta.

Havendo na literatura contemporânea várias correntes literárias, poder-se-á deduzir que Rodrigo Guedes de Carvalho se afigura como modernista? E o que pensa do modernismo, ainda o acha moderno, passe a redundância? 

Não penso em mim como nada. Esse trabalho pertencerá a quem me analisa. Eu limito-me a escrever. E não é pouco.

O Rodrigo Guedes de Carvalho criou alguns personagens com nomes lendários: Alexandre, o Grande e Geraldo Sem Pavor, o que resultou num cruzamento bastante interessante. Como é que os seus leitores estão a reagir a estas figuras?

Não tenho reacções com esse pormenor.

Afirmou na apresentação do livro que a Maria Antónia é para si a personagem feminina mais importante do livro. Quer explicar aos visitantes do Portal as razões que o levam a fazer essa afirmação.
 
Não diria a mais importante, mas a que me deu mais trabalho, apesar de poder parecer uma figura secundária. Quis que resultasse num poço profundo de contradições. Não o seremos todos?

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