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A Laranja Mecânica



Sinopse

Um dos grandes clássicos literários sobre futurologia do Século XX, comparável a obras como 1984 ou o Admirável Mundo Novo.
Imortalizado também no cinema pela mítica adaptação de Stanley Kubrick, é uma obra ímpar e de indispensável leitura, já que nem sempre a versão cinematográfica coincide com o texto do romance.
Além disso esta edição inclui material inédito: textos e ilustrações do autor, assim como ensaios sobre a obra e a sua polémica.
Narrada pelo protagonista, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário que então domina a sociedade. Os processos utilizados e as fantásticas e inesperadas conclusões ainda hoje são tão polémicas como actuais.

Críticas ao livro " A Laranja Mecânica "

Fonte: Andréia Silva

Os livros (pouco mais de uma dezena) escritos e publicados pelo autor inglês John Anthony Burgess Wilson, ou apenas Anthony Burgess (1917-1993), permanecem no anonimato, exceto Laranja Mecânica. A obra, adaptada para o cinema pelo cineasta Stanley Kubrick, completa 50 anos em 2012 com direito a uma reedição especial.

O livro foi o 18º da carreira de Burgess e saiu em 1962. Ele narra a história de Alex, líder de uma gangue que acaba preso e submetido a um tratamento de aversão à violência. Ele é tratado com remédios e desafia a terapia. Apesar de “curado”, logo retorna ao que era. Um dos pontos mais curiosos da obra é o dialeto falado por Alex e sua gangue, a linguagem Nadsat, criada por Burgess ao misturar o inglês, o russo e gírias.

Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20 e que abordava mais uma possibilidade de forma de controle da sociedade. E para os leitores mais jovens, a obra continua atual.

"Cheguei ao livro porque, na época, estava lendo Admirável Mundo Novo e 1984. Adorei o livro: a densidade dos personagens, a crueldade de suas ações e, mais ainda, o sistema de vigilância e punição desenvolvido pelo Estado. Tudo muito atual. Na época, esses mecanismos de controle social me interessavam muito: o soma de Admirável Mundo Novo, a teletela de 1984 e o tratamento ‘médico’ de Laranja. Era uma literatura que misturava a dimensão crítica com o suspense, prendia como uma boa novela policial", diz a estudante de Artes Cênicas Luiza Romão, 20.

Kubrick decidiu adaptar a obra para o cinema em 1971, com um orçamento de pouco mais de US$ 2 milhões, popularizando ainda mais a história. A estética futurista, as cenas fortes e violentas e a terapia da aversão marcaram os espectadores. Uma onda de violência foi desencadeada na Inglaterra, levando o cineasta a pedir que algumas exibições fossem canceladas.

"O toque futurista do filme, mesmo rodado em 1971, não deixa de refletir questões ainda atuais, como o perigo de acreditar que a ciência por si só pode permitir o controle do Estado sob as liberdades individuais e a hiperviolência como sintoma de uma sociedade doente. Existe um humor sarcástico, e a estética das roupas é muito singular. Inesquecíveis são as cenas de ‘correção’ dos hábitos do protagonista Alex, ou as imagens violentas chocando-se com a suavidade da música do alemão Ludwig van Beethoven", diz o cineasta Guilherme Teixeira, 36.

Agora, no aniversário de 50 anos, a obra ganha uma edição especial com ilustrações assinadas por Angeli, Dave McKean (conhecido por colaborar com Neil Gaiman) e pelo argentino Oscar Grillo, além de notas culturais, trechos restaurados, anotações originais e uma entrevista inédita com o autor. Entre as anotações de Burgess, ele questiona se Elvis Presley será famoso na época do lançamento do livro. O rei do rock é citado em um trecho onde Alex e sua gangue se preparam para mais uma invasão no bairro.

Escreve Burgess: "Colocamos nossas mascaretas. Coisa nova, horrorshow mesmo, um trabalho muito bem feito; eram os rostos de personalidades históricas (eles diziam para você os nomes quando você comprava). Eu tinha Disraeli, Pete tinha Elvis Presley, Georgie tinha Henrique VIII e o coitado do bom e velho Tosko tinha um vek poeta chamado PB Shelley (...)".

O trecho citado mostra algumas palavras na linguagem usada pela gangue de Alex. Para alguns leitores, uma forma de autoaprovação. "Quanto à linguagem, acho que reproduz um comportamento próprio de grupos, seja quais forem, que usam e transformam certas palavras, conceitos, como forma de se diferenciar. A gangue de Alex e sua semântica são próprios de um grupo que quer se afirmar, penso nisso como nas gangues de ‘pichos’, cada uma com seus códigos e escritas que identificam", diz Luciano Rodriguez Duarte, 22, estudante de Letras.

 Com o sucesso do livro, o escritor foi questionado várias vezes nos Estados Unidos e também na Europa acerca do significado da obra. Resolveu comentar tudo em um artigo datado de 1973, intitulado “A Condição Mecânica”.

Nele, Burgess explica boa parte da história de Laranja Mecânica, começando pelo nome. “A primeira vez que ouvi a expressão 'laranja mecânica' foi em um pub de Londres, antes da Segunda Guerra Mundial. É uma velha expressão londrina que implica uma estranheza, uma extravagância tão extrema que subverte a natureza, pois qual conceito seria mais bizarro quanto o de uma laranja mecânica?".

Sobre o tema escolhido (uma forma de conter a delinquência juvenil), ele revela “ter lido em algum lugar que curar a delinquência pela terapia da aversão seria um bom negócio”. “Fiquei espantado”, escreveu.

 

Fonte: Por mais uma.

Entre os cem melhores romances em língua inglesa do século XX está Laranja Mecânica. Muitos por ai, adoram o filme e até sabem que é uma adaptação do livro de Anthony Burgess, mas ainda não se interessaram pela leitura. Confesso que, por muito tempo, fui uma das pessoas que, apesar de gostar do filme, jamais procurou o livro, até que, um lindo dia, minha querida mãe apareceu com ele por aqui. Então 191 páginas depois e lá estava eu arrependida de não ter lido antes, por que, apesar de saber o que acontece na história, a experiência da leitura fora indiscutível.

Essa versão tem uma nota imensa sobre a tradução brasileira que, acredite ou não, deve realmente ser lida, pois conta muito bem como o processo de tradução fora feito, afinal, não foi apenas traduzir do inglês para o português, eles também tiveram um trabalho bizarro ao traduzir o vocabulário nadsat. Se eu não tivesse lido as notas do prefácio, provavelmente teria ido consultar ao glossário do final do livro toda vez que Alex falasse algo bizarro, mas eles deixaram um aviso sobre qual era a intenção do autor ao escrever daquele jeito. E, sem dúvida nenhuma, o impacto que se tem com o contato com a linguagem é bem melhor quando se deixa por si só. Ou seja, aconselho, caso leia, que também deixe as gírias confundirem sua cabeça, não as consulte, aos poucos irá assimilando e experimente a sensação de estranhamento que os primeiros leitores tiveram.

Para os interessados na leitura, não nego, algumas partes são bastardes incômodas devido ao excesso de palavras desconhecidas, outras, também, estranhei pelo fato de que estão diferentes da visão do Cinema, além disso, Alex começa com 15 anos, sendo que, no filme, o ator que o interpretou já estava para lá de seus 20. Alguns estranhamos a parte, além de que, deve-se lembrar que Kubrick retirou o último capítulo do livro na adaptação.

laranjamecanicalivroO livro é dividido em três partes, cada uma com sete capítulos, mostrando então a intenção do ator em se programar para produzi-lo e deixa claro a evolução do personagem ao passar. O número total de 21 capítulos não é por acaso, na cultura anglo-americana, a idade adulta só é atingida aos 21 e Laranja Mecânica é um romance estruturado para demonstrar a formação e as perturbações do personagem que, por fim, vê a si mesmo como adulto, irmãos.

Além do capítulo retirado no filme, também temos alguns detalhes que dificilmente serão percebidos, o homem que Alex  ataca, o escritor, estava a escrever um livro chamado “Laranja Mecânica” e quando, depois do tratamento, Alex retorna à casa do mesmo, alguns dias depois o personagem encontra um exemplar do livro. E eis o que narra sobre ele na página 158:

“Parecia escrito num estilo tipo assim bizumni, cheio de Ah e Oh e aquela kal total, mas o que parecia sair dali era que todos os plebeus hoje em dia estavam sendo transformados em máquinas e que na verdade eles eram – você, eu, ele e o cacete a quatro – mais algo que cresce naturalmente, como uma fruta”

Os períodos que acompanham Alex na prisão também são mais detalhados e, de certa forma, convocam uma discussão necessária para todo o resto do desenvolvimento. Tirar o direito de escolha do ser, faz dele um bom cidadão/cristão ou apenas desvia o foco do real problema?

“- Pode não ser bom ser bom, pequeno 6655321. Ser bom pode ser horrível. E quando digo isso a você, percebo o quão autocontraditório isso soa. Eu sei que perderei muitas noites de sono por causa disso. O que Deus quer? Será que Deus quer insensibilidade ou escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si?“

A editora também está com uma versão especial de 50 anos, mas também tem umas mais baratinhas tanto no submarino, quanto em qualquer livraria por ai. Então não perca tempo e leia, ninguém deveria ficar por fora do horrorshow tão bem feito de Anthony Burgess e seu protagonista.

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