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Poema e Poesia de José Régio

Poesia
José Régio

Testamento do Poeta

Todo esse vosso esforço é vão, amigos: 
Não sou dos que se aceita... a não ser mortos. 
Demais, já desisti de quaisquer portos; 
Não peço a vossa esmola de mendigos. 

O mesmo vos direi, sonhos antigos 
De amor! olhos nos meus outrora absortos! 
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos, 
Que fostes o melhor dos meus pascigos! 

E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje 
Que tudo e todos vejo reduzidos, 
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge. 

Para reaver, porém, todo o Universo, 
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!.... 
Basta-me o gesto de contar um verso. 

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

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