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Poema e Poesia de Florbela Espanca

Paixão
Florbela Espanca

Supremo Enleio

Quanta mulher no teu passado, quanta! 
Tanta sombra em redor! Mas que me importa? 
Se delas veio o sonho que conforta, 
A sua vinda foi três vezes santa! 

Erva do chão que a mão de Deus levanta, 
Folhas murchas de rojo à tua porta... 
Quando eu for uma pobre coisa morta, 
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta! 

Mas eu sou a manhã: apago estrelas! 
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas, 
Mesmo na boca da que for mais linda! 

E quando a derradeira, enfim, vier, 
Nesse corpo vibrante de mulher 
Será o meu que hás de encontrar ainda... 

em "Charneca em Flor"

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