loading gif
Loading...

Poema e Poesia de Luís Vaz de Camões

Paixão
Luís Vaz de Camões

Tão Conformes na Ventura

Quantas vezes do fuso se esquecia 
Daliana, banhando o lindo seio, 
Outras tantas de um áspero receio 
Salteado Laurénio a cor perdia. 

Ela, que a Sílvio mais que a si queria, 
Para podê-lo ver não tinha meio. 
Ora como curara o mal alheio 
Quem o seu mal tão mal curar podia? 

Ele, que viu tão clara esta verdade, 
Com soluços dizia (que a espessura 
Inclinavam, de mágoa, a piedade): 

Como pode a desordem da natura 
Fazer tão diferentes na vontade 
Aos que fez tão conformes na ventura? 

em "Sonetos"

Voltar

Faça o login na sua conta do Portal