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Poema e Poesia de António Gedeão

Vida
António Gedeão

Poema da Morte na Estrada

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros, 
estão quinhentos mortos com os olhos abertos. 

A morte, num sopro, colheu-os aos molhos. 
Nem tiveram tempo para fechar os olhos. 

Eles bem sabiam dos bancos da escola 
como os homens dignos sucumbem na guerra. 
Lá saber, sabiam. 
A mão firme empunhando a espada ou a pistola, 
morrendo sem ceder nem um palmo de terra. 

Pois é. 
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis, 
não lhes deu tempo para serem heróis. 

Eles bem sabiam que o último pensamento 
devia estar reservado para a pátria amada. 
Lá saber, sabiam. 
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento. 
Não lhes deu tempo para pensar em nada. 

Agora, 
na berma da estrada, nuns quinhentos metros, 
são quinhentos mortos com os olhos abertos. 

em 'Linhas de Força'

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