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Poema e Poesia de Friedrich Wilhelm Nietzsche

Vida
Friedrich Wilhelm Nietzsche

Ó Minha Felicidade

Revejo os pombos de São Marcos: 
A praça está silenciosa; ali se repousa a manhã. 
Indolentemente envio os meus cantos para o seio da suave 
                                                                                     frescura, 
Como enxames de pombos para o azul 
Depois torno a chamá-los 
Para prender mais uma rima às suas penas. 
— Ó minha felicidade! Ó minha felicidade! 

Calmo céu, céu azul-claro, céu de seda, 
Planas, protector, sobre o edifício multicor 
De que gosto, que digo eu?... Que receio, que invejo... 
Como seria feliz bebendo-lhe a alma! 
Alguma vez lha devolveria? 
Não, não falemos disso, ó maravilha dos olhos! 
— Ó minha felicidade! Ó minha felicidade! 

Severa torre, que impulso leonino 
Te levantou ali, triunfante e sem custo! 
Dominas a praça com o som profundo dos teus sinos... 
Serias, em francês, o seu «accent aigu»! 
Se, como tu, eu ficasse aqui, 
Saberia a seda que me prende... 
— Ó minha felicidade! Ó minha felicidade! 

Afasta-te, música. Deixa primeiro as sombras engrossar 
E crescer até à noite escura e tépida. 
É ainda muito cedo para ti, os teus arabescos de ouro 
Ainda não cintilam no seu esplendor de rosa; 
Resta ainda muito dia, 
Muito dia para os poetas, fantasmas e solitários. 
— Ó minha felicidade! Ó minha felicidade! 

Em "A Gaia Ciência"

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