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José Cardoso Pires


1925 - 1998

Biografia

Em 2 de Outubro de 1925, foi nascer a São João do Peso, concelho de Vila de Rei (Castelo Branco), numa família da pequena burguesia urbana, com origem no meio rural beirão.

Durante a infância e juventude, vive no bairro de S. Jorge de Arroios, em Lisboa. Frequenta o ensino público. Aluno liceal passável do Liceu Camões, conhece ali alguns professores marcantes, entre os quais Rómulo de Carvalho. Frequenta Matemática na Faculdade de Ciências de Lisboa, mas desinteressa-se do curso antes de terminar. Na Universidade, canaliza o espírito contestatário para a intervenção política. Inicia colaborações em publicações literárias, fundamentalmente como crítico.

Faz uma breve incursão pela Marinha Mercante, como praticante de piloto sem curso, actividade que abandona por indisciplina. Publica o seu primeiro conto – Salão de Vintém – na antologia universitária Bloco. O serviço militar (Artilharia), em Vendas Novas e Figueira da Foz, dá-lhe a ideia para um romance, que surgiria apenas em 1963: O Hóspede de Job.

Ao sair da tropa, agarra vários trabalhos de ocasião, para garantir a sua subsistência: agente de vendas, correspondente de inglês e intérprete de uma companhia de aviação.

Reunindo dinheiro da herança por morte do pai e com a ajuda de alguns amigos, publica Os Caminheiros e outros Contos, livro que lhe vale grande incentivo dos maiores críticos literários do tempo e de escritores consagrados como Aquilino Ribeiro, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, entre outros.

Em 1949, entra para a redacção da revista feminina Eva. Com Victor Palla funda a colecção de bolso Os Livros das Três Abelhas. E publica as duas traduções que assumiu com o próprio nome: Morte de um Caixeiro-viajante, de Arthur Miller, e O Pão da Mentira, de Horace McCoy.

Em 1952, a Censura considera Histórias de Amor (reeditado em 2008, pelas Edições Nelson de Matos) imoral e a PIDE apreende o livro pelas óbvias conotações políticas. Passa por uma curta detenção na PIDE, a única da sua vida.

A sua primeira tradução ocorre em 1954: o conto Os Caminheiros é publicado em Londres, com o título The Outsiders. Dirigia então as Edições Fólio, onde reunia grandes nomes da literatura e das artes contemporâneas portuguesas. Lança uma colecção intitulada Teatro de Vanguarda, que revelou em Portugal obras de Beckett, Faulkner e Maiakovski.

Casa em Julho e do casamento nascem duas filhas, Ana (1956) e Rita (1958).

Publica o primeiro romance, O Anjo Ancorado, em 1958. A incessante intervenção política leva-o a Estocolmo, ao Congresso Mundial da Paz.

Em 1959, coordena a redacção da revista Almanaque, constituída por Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill, Vasco Pulido Valente, Augusto Abelaira e José Cutileiro.

Perante o recrudescimento da repressão política sobre os intelectuais, nomeadamente os associados com o Partido Comunista, onde militava há vários anos, sai do país em 1960 e passa cinco meses no Brasil. Aí, colabora na revista Sr., sempre sob pseudónimos.

Arrisca o regresso a Portugal. Não é preso e retoma a direcção do Almanaque, até ao seu encerramento, em Maio de 1961. Entra para a direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Continua a participação em encontros internacionais, como o Encontro de Escritores Peninsulares (clandestino), em 1961, e na criação do núcleo português da Association Internationale pour la Liberté de la Culture, em 1966.

Torna-se cronista do Diário Popular. Funda e orienta o suplemento de letras, artes e espectáculos & etc., coordenado por Victor Silva Tavares, no Jornal do Fundão.

Em 1968, publica O Delfim, imediatamente considerado um romance determinante na literatura portuguesa do séc. XX.

Com Victor Silva Tavares, dirige o novo Suplemento Literário do Diário de Lisboa e, meses depois, o suplemento humorístico A Mosca.

Vai para Londres, como professor convidado de Literatura Portuguesa e Brasileira no King's College, entre 1969 e 1971.

Em 1972, publica na revista inglesa Index o ensaio Técnica do Golpe de Censura, rapidamente traduzido em várias línguas. Em Portugal, só será publicado em E Agora, José? (1977). Regressa ao país e traz consigo Dinossauro Excelentíssimo, que gera uma famosa polémica no Parlamento.

Com o 25 de Abril e a rápida evolução da vida política e social, abandona os projectos literários anteriores à revolução e aceita o lugar de director-adjunto do Diário de Lisboa, profundamente afectado pelas clivagens políticas da esquerda.

Faz uma curta passagem pela vereação da Câmara Municipal de Lisboa e participa em diversos fóruns culturais e políticos internacionais.

Em 1976, protagoniza o primeiro processo à liberdade de expressão em democracia, cujo desfecho foi decisivo para a independência da actividade jornalística em relação ao poder político.

Volta ao King’s College de Londres. Mantém colaboração no Diário de Lisboa e, posteriormente, n’O Jornal, como cronista, que troca em 1992 pelo jornal Público. A reescrita de algumas dessas crónicas integraram o livro A Cavalo no Diabo.

Em 1996, teve um problema vascular cerebral, posteriormente relatado em De Profundis, Valsa Lenta.

A sua última publicação em livro foi Viagem à Ilha de Satanás, para a colecção de contos editada pela Expo’98. Um acidente respiratório ocorrido em Julho de 1998 pô-lo em estado vegetativo durante três meses, vindo a falecer em 26 de Outubro.

 

Prémios mais marcantes:

1964 Prémio Camilo Castelo Branco, pel’O Hóspede de Job.
1983 Grande Prémio do Romance da Associação Portuguesa de Escritores, pela Balada da Praia dos Cães.
1989 Prémio Especial da Associação de Críticos de São Paulo (Brasil), por Alexandra Alpha.
1991 Prémio União Latina de Literatura.
1992 Astrolábio de Ouro – prémio literário internacional Ultimo Novecento da comuna de Pisa (Itália).
1997 Prémio Pessoa; Prémio D. Dinis; Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários.
1998 Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.



Livros escritos por José Cardoso Pires





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