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Raízes - Cristina Drios


Lisboa

2017-07-12

 

 

Lisboa

cabe toda
na brancura dos estendais
que pingam amores e fúrias
e
nas calhas dos eléctricos
que giram sobre defuntas
pedras puídas

quando
na luz sem mácula
assoma
a brusquidão dos passos
na calçada

cospe vagarosa
a espuma do rio
para correrem nuvens
no céu

logo se espreguiça
por baixo das sombras esquivas
dos gritos das gaivotas
revoluteando

enquanto trinca
as asas dos anjos de caliça
no cinza dolente das naves
em eterna espera

e a cada dia morre-lhe nos braços
um amor salgado e íngreme
vaiado pelo seu melhor santo

 

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