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Sinopse

A infância é o princípio de todos os princípios. Antecede mesmo a própria ideia de princípio, cujo início não passa de um lugar abstracto. O seu fim, único em termos individuais, persiste contudo no pó intemporal e não termina nunca, nem se deixa fechar no túmulo escuro da inexistência. 
E chegados ao mundo real, no seu indiferente silêncio, feito de um acolhimento anónimo, cada um apreende e aprende a crescer evolutivamente, numa construção a que chamamos vida.
A infância é sempre um caminho que se segue, que se percorre a partir de um espírito de aventura e ignorância, que desembocará num lugar denominado futuro. Esse novo caminho, mais longo e mais confuso, será diferente nos cheiros, nas intenções e nos desejos. Mas o caminho inicial é tão intenso que nunca mais deixará de existir. 
Nenhuma infância é pura e casta como o mundo desejado de Henry Thoreau, onde a vida selvagem não casa com a  realidade mundana de um mundo à procura de se civilizar. Um mundo ideal e sem humanos distorcidos não é o lugar da  infância nem dos adultos que a constituem.  A infância não é refúgio, casulo, ovo, mas antes luz, meta, chão que sustenta toda uma vida de vidas comuns e diferentes  entre si. Se dantes, e esse dantes é um tempo que existe nos registos literários, a infância não tinha lugar próprio, e a voz  infantil subsistia de modo abafado e afastado do mundo. Estas crianças, tão antigas que já não existem para fazer história, suportaram a sua vida, foram adultos fortes e aguerridos, tristes ou cobardes, anónimos e desesperados. Mas fizeram as  suas vidas e chegaram aos dias de hoje, sem glória, mas reconhecidos.
Nesse tempo, a infância era o espelho óbvio da vida. Era preciso nascer. Para crescer. Gerar novas vidas. E depois morrer. Poucos foram aqueles que se tornaram heróis de si mesmos.

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