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Poema e Poesia de Antero de Quental

Esperemos em Deus! Ele ha tomado 
Em suas mãos a massa inerte e fria 
Da materia impotente e, n'um só dia, 
Luz, movimento, acção, tudo lhe ha dado. 

Ele, ao mais pobre de alma, ha tributado 
Desvelo e amor: ele conduz á via 
Segura quem lhe foge e se extravia, 
Quem pela noite andava desgarrado. 

E a mim, que aspiro a ele, a mim, que o amo, 
Que anceio por mais vida e maior brilho. 
Ha-de negar-me o termo d'este anceio? 

Buscou quem o não quiz; e a mim, que o chamo, 
Ha-de fugir-me, como a ingrato filho? 
Ó Deus, meu pae e abrigo! espero!... eu creio! 

Antero de Quental, in 'Sonetos'

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