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Poema e Poesia de Manuel Maria Barbosa du Bocage

Tinha de uma cadela um cão fome canina, 
Ele bom perdigueiro, ela de casta fina: 
Mil foscas lhe fazia o terno maganão, 
Mas gastava o seu tempo, o seu carinho em vão. 
Dando no chichisbéu dentada e maisdentada, 
A fêmea parecia um cadela honrada 
E incapaz de ceder às pretensões de amor. 
Mas o amante infeliz foi sabedor 
De que a mesma, em que via ações tão desabridas, 
Era coum torpe cão fagueira às escondidas. 
Se és sagaz, meu leitor, talvez tenhas visto 
Cadelas de dois pés, que também fazem isto.

em "Antologia da Poesia Portuguesa"

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