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Poema e Poesia de Fernando Pessoa

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Fernando Pessoa

Assim, Sem Nada Feito e o Por Fazer

Assim, sem nada feito e o por fazer 
Mal pensado, ou sonhado sem pensar, 
Vejo os meus dias nulos decorrer, 
E o cansaço de nada me aumentar. 

Perdura, sim, como uma mocidade 
Que a si mesma se sobrevive, a esperança, 
Mas a mesma esperança o tédio invade, 
E a mesma falsa mocidade cansa. 

Tênue passar das horas sem proveito, 
Leve correr dos dias sem ação, 
Como a quem com saúde jaz no leito 
Ou quem sempre se atrasa sem razão. 

Vadio sem andar, meu ser inerte 
Contempla-me, que esqueço de querer, 
E a tarde exterior seu tédio verte 
Sobre quem nada fez e nada quere. 

Inútil vida, posta a um canto e ida 
Sem que alguém nela fosse, nau sem mar, 
Obra solentemente por ser lida, 
Ah, deixem-se sonhar sem esperar! 

em "Cancioneiro"

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