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Poema e Poesia de Florbela Espanca

Vida
Florbela Espanca

Dizeres Íntimos

É tão triste morrer na minha idade! 
E vou ver os meus olhos, penitentes 
Vestidinhos de roxo, como crentes 
Do soturno convento da Saudade! 

E logo vou olhar (com que ansiedade! ...) 
As minhas mãos esguias, languescentes, 
De brancos dedos, uns bebês doentes 
Que hão-de morrer em plena mocidade! 

E ser-se novo é ter-se o Paraíso, 
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida, 
Aonde tudo é luz e graça e riso! 

E os meus vinte e três anos ... (Sou tão nova!) 
Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida! ...” 
Responde a minha Dor: “Que linda a cova!” 

em "Livro de Mágoas"

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