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Poema e Poesia de Luís Vaz de Camões

Amor
Luís Vaz de Camões

Bem Sei, Amor, que é Certo o que Receio

Bem sei, Amor, que é certo o que receio; 
Mas tu, porque com isso mais te apuras, 
De manhoso, mo negas, e mo juras 
Nesse teu arco de ouro; e eu te creio. 

A mão tenho metida no meu seio, 
E não vejo os meus danos às escuras; 
Porém porfias tanto e me asseguras, 
Que me digo que minto, e que me enleio. 

Nem somente consinto neste engano, 
Mas inda to agradeço, e a mim me nego 
Tudo o que vejo e sinto de meu dano. 

Oh poderoso mal a que me entrego! 
Que no meio do justo desengano 
Me possa inda cegar um moço cego? 

em "Sonetos"

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