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Poema e Poesia de Florbela Espanca

Amor
Florbela Espanca

À Tua Porta Há um Pinheiro Manso

À tua porta há um pinheiro manso 
De cabeça pendida, a meditar, 
Amor! Sou eu, talvez, a contemplar 
Os doces sete palmos do descanso. 

Sou eu que para ti atiro e lanço, 
Como um grito, meus ramos pelo ar, 
Sou eu que estendo os braços a chamar 
Meu sonho que se esvai e não alcanço. 

Eu que do sol filtro os ruivos brilhos 
Sobre as louras cabeças dos teus filhos 
Quando o meio-dia tomba sobre a serra... 

E, à noite, a sua voz dolente e vaga 
É o soluço da minha alma em chaga: 
Raiz morta de sede sob a terra! 

em "A Mensageira das Violetas"

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