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Poema e Poesia de Almeida Garrett

Amor
Almeida Garrett

Estes Sítios!

Olha bem estes sítios queridos, 
Vê-os bem neste olhar derradeiro... 
Ai! o negro dos montes erguidos, 
Ai! o verde do triste pinheiro! 
Que saudade que deles teremos... 
Que saudade! ai, amor, que saudade! 
Pois não sentes, neste ar que bebemos, 
No acre cheiro da agreste ramagem, 
Estar-se alma a tragar liberdade 
E a crescer de inocência e vigor! 
Oh! aqui, aqui só se engrinalda 
Da pureza da rosa selvagem, 
E contente aqui só vive Amor. 
O ar queimado das salas lhe escalda 
De suas asas o níveo candor, 
E na frente arrugada lhe cresta 
A inocência infantil do pudor. 
E oh! deixar tais delícias como esta! 
E trocar este céu de ventura 
Pelo inferno da escrava cidade! 
Vender alma e razão à impostura, 
Ir saudar a mentira em sua corte, 
Ajoelhar em seu trono à vaidade, 
Ter de rir nas angústias da morte, 
Chamar vida ao terror da verdade... 
Ai! não, não... nossa vida acabou, 
Nossa vida aqui toda ficou 
Diz-lhe adeus neste olhar derradeiro, 
Dize à sombra dos montes erguidos, 
Dize-o ao verde do triste pinheiro, 
Dize-o a todos os sítios queridos 
Desta rude, feroz soledade, 
Paraíso onde livres vivemos, 
Oh! saudades que dele teremos, 
Que saudade! ai, amor, que saudade! 

em 'Folhas Caídas'

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