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Poema e Poesia de Guerra Junqueiro

Vida
Guerra Junqueiro

O Teu Aniversário

Pediste-me sorrindo, ó minha flor gentil, 
Uns versos às tuas vinte alvoradas de Abril. 
Vinte anos já!... não creio, estás equivocada... 
Enganas-te. Eu irei perguntar à alvorada 
Quantas vezes pousou em êxtase, ao de leve, 
A sua boca de rosa em tua fronte de neve. 
Vinte anos! Podes crer, pomba que eu idolatro, 
Que se o corpo fez vinte, a alma, não: fez quatro. 
A tua alma nasceu inefável, divina, 
Para ser sempre grande e sempre pequenina. 
É como a estrela d'alva; enche o seu esplendor 
O Mundo, e ela não enche o cálix duma flor!... 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

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