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Poema e Poesia de Pablo Neruda

Velhice
Pablo Neruda

Velho Cego, Choravas

Velho cego, choravas quando a tua vida 
era boa, e tinhas em teus olhos o sol: 
mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas, 
o que é que esperas, cego, que esperas da dor? 

No teu canto pareces um menino que nascera 
sem pés para a terra e sem olhos para o mar 
como os das bestas que por dentro da noite cega 
- sem dia ou crepúsculo - se cansam de esperar. 

Porque se conheces o caminho que leva 
em dois ou três minutos até à vida nova, 
velho cego, que esperas, que podes esperar? 

Se pela mais torpe amargura do destino, 
animal velho e cego, não sabes o caminho, 
eu que tenho dois olhos to posso ensinar. 

em "Crepusculário" 

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