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Poema e Poesia de António Nobre

Alma
António Nobre

Sta Iria

N'um rio virginal d'agoas claras e mansas, 
Pequenino baixel, a santa vae boiando... 
Pouco e pouco, dilue-se o oiro das suas tranças 
E, diluido, ve-se as agoas aloirando. 

Circumda-a um resplendor, a luzir esperanças, 
Unge-lhe a fronte o luar, avelludado e brando, 
E, com a graça etherea e meiga das crianças, 
Formosa Iria vae boiando, vae boiando... 

Á lua, cantam as aldeãs de Riba-Joia
E, ao verem-na passar, phantastica barquinha, 
Exclamam todas: «Olha um marmore que aboia!» 

Ella entra, emfim, no Oceano... E escuta-se, ao luar, 
A mãe do pescador, rezando a ladainha 
Pelos que andam, Senhor! sobre as agoas do mar... 

António Nobre, in 'Só'

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