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Poema e Poesia de António Nobre

Vida
António Nobre

Tempestade!

O meu beliche é tal qual o bercinho, 
Onde dormi horas que não vêm mais. 
Dos seus embalos já estou cheiinho: 
Minha velha ama são os vendavaes! 

Uivam os ventos! Fumo, bebo vinho. 
O vapor treme! Abraço a Biblia, aos ais... 
Covarde! Que dirá teu Avôzinho, 
Que foi moreante? Que dirão teus Paes? 

Coragem! Considera o que has soffrido, 
O que soffres e o que ainda soffrerás, 
E ve, depois, se accaso é permittido 

Tal medo á Morte, tanto apego ao mundo: 
Ah! fôra bem melhor, vás onde vás, 
Antonio, que o paquete fosse ao fundo! 

António Nobre, in 'Só'

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