loading gif
Loading...

Poema e Poesia de António Nobre

Mundo
António Nobre

Sê de Pedra!

Não reparaste nunca? Pela aldeia, 
Nos fios telegraphicos da estrada, 
Cantam as aves, desde que o sol nada, 
E, á noite, se faz sol a lua cheia... 

No entanto, pelo arame que as tenteia, 
Quanta tortura vae, n'uma ancia alada! 
O Ministro que joga uma cartada, 
Alma que, ás vezes, d'além-mar anceia: 

- Revolução! - Inutil. - Cem feridos, 
Setenta mortos. - Beijo-te! - Perdidos! 
- Emfim, feliz! - ?- ! - Desesperado. -Vem! 

E as lindas aves, bem se importam ellas! 
Continuam cantando, tagarellas: 
Assim, Antonio! deves ser tambem. 

António Nobre, in 'Só'

Voltar

Faça o login na sua conta do Portal