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Poema e Poesia de António Nobre

Mãe
António Nobre

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto, 
Meu copo cheio de agoirentas fezes, 
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto, 
Pelo teu filho. Minha Mãe, não rezes! 

Para fallar, assim, ve tu! já farto, 
Para me ouvires blasphemar, ás vezes, 
Soffres por mim as dores crueis do parto 
E trazes-me no ventre nove mezes! 

Nunca me houvesses dado á luz, Senhora! 
Nunca eu mamasse o leite aureolado 
Que me fez homem, magica bebida! 

Fôra melhor não ter nascido, fôra, 
Do que andar, como eu ando, degredado 
Por esta Costa d'Africa da Vida... 

António Nobre, in 'Só'

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