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Poema e Poesia de António Nobre

Venho, torna-me velho esta lembrança! 
D'um enterro d'anjinho, nobre e puro: 
Infancia, era este o nome da criança 
Que, hoje, dorme entre os bichos, lá no escuro... 

Trez anjos, a Chymera, o Amor, a Esperança 
Acompanharam-n'o ao jazigo obscuro, 
E recebeu, segundo a velha usança, 
A chave do caixão o meu Futuro. 

Hoje, ambulante e abandonada Ermida, 
Leva-me o fado, á bruta, aos empurrões, 
Vá para a frente! Marcha! Á Vida! Á Vida! 

Que hei-de fazer, Senhor! o qu'é que espera 
Um bacharel formado em illuzões 
Pela Universidade da Chymera? 

António Nobre, in 'Só'

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