Raízes - Patrícia Reis
Por este Mundo Acima é uma peregrinação futurista. Uma visão estranha de um Lisboa destruída após um acidente.
Um sobrevivente, velho, interroga-se sobre a sua existência. Revive os momento bons, recorda os amigos, volta atrás numa viagem nostálgica que se torna um instrumento para se manter vivo. Não é um romance sobre uma destruição e o retrocesso da Humanidade, sobre a perda da tecnologia e as dificuldades inerentes. É a história de vida de um homem – Eduardo - que , em tempos, foi uma figura importante do mundo da cultura. O que importa dizer aos leitores? Que é um romance sobre a memória, sobre a amizade, a ideia do Bem e do Mal e, depois, da redenção. No exercício da memória, Eduardo redescobre os amigos, consegue vê-los numa outra perspectiva. Em casa de um deles - sabendo à partida que não voltarão a encontrar-se - encontra segredos e coisas inesperadas. A amizade também é isso: dizer o que se pode; guardar o que talvez não faça falta para se ser compreendido.
Ao fim de três anos de sobrevivência, Eduardo descobre um manuscrito que, por mero acaso, ficara perdido na mesa de trabalho e é o livro que lhe dá alento para enfrentar o mundo. É preciso imprimir, é preciso divulgar, é preciso entender o livro como uma forma superior de co-existir. Enquanto procura um dos amigos, aquele que acredita ser capaz de o ajudar a reproduzir o original, Eduardo sabe que as probabilidades de sucesso são escassas. Apesar disso faz um esforço para atravessar a cidade, os restos da cidade. Encontra um miúdo com oito anos, Pedro. Toda a sua vida se transforma e ganha outra dimensão. Tem um livro novo e uma criança que leva para casa.
A vida de Pedro é-nos relatada por um narrador ausente, sendo a terceira parte do livro. Eduardo encontra uma razão de viver em Pedro e ensina-lhe tudo o que consegue ensinar, obrigando-o a ler uma biblioteca maravilhosa, a biblioteca que herdou da avó. Pedro cresce e consegue construir uma oficina de impressão: o original que Eduardo encontrou ganha vida, por fim. A Humanidade compõe-se aos solavancos. Uma certa ideia de Humanidade, numa cidade onde todo o mal pode vir do céu. A maldade? Sim, as chuvas ácidas, o desconhecimento, o desligar do resto do mundo por falta de comunicações. A bondade? É inerente a quem ama, mesmo àqueles que aprendem tarde como demonstrar esse amor.
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