Raízes - Patrícia Reis
Certa
2012-12-03 00:00:00Não é que tenha de ter razão. Não preciso de me sentir certa todos os dias. Acredita. Posso cometer os mesmos erros de sempre e dizeres que, pese as horas de conversa e acusações mútuas, sou incapaz de aprender. O pior, sabes, é que quando sinto que a certeza mora cá dentro fico cheia de palavras que podem cair como uma chuva de pedras.
O amor sem condição é impossível. Estar certa, completamente ciente de que o caminho que percorro é o justo, longe das sombras e outras maldades. Posso arriscar e dizer que, terás de me perdoar, mas desta vez ganho eu. E é assim. Tenho razão.
Queres que explique melhor? As palavras não são a verdade inteira da justiça do que sinto. As palavras são poucas e estão gastas, terás de ouvir o silêncio do que te digo ou escrevo. Arrisca um pouco, deixa o pedestal de ser o que achas que tens de ser, desce à rua da amargura, mesmo aqui aos teus pés, e vê como o meu coração se desfaz nas pedras para que o possas pisar. Sim, a razão é essa, o meu coração derramado, incapaz de se moldar de novo, transformar-se num músculo dentro de um corpo. Eu já não tenho corpo e tu nem dás por isso. Olha para mim, não olhes para o que pensas que eu sou, mas para quem eu sou. Não o sabes fazer? Já o sei.
Tanta coisa que é impossível saber. Deixa, não te rales, a vida é feita destas intrigas e pedaços de fracasso, sem drama, vamos aprendendo a ver conforme nos é possível. Por isto tudo, o meu coração já não pulsa, permanece aos teus pés e falas para um coração morto. Podes contar das tuas razões até ao Verão. Já cá não estou para te ouvir, mas estou certa. Certa da minha morte em ti. Quando tropeçares naquele líquido não será vermelho de paixão, apenas uma cor vil de fim. Não te surpreendas, mas tens permissão para chorar e dizer que não entendes. Quando foi que entendeste?
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