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Tratado da Vida Sóbria

Alvise Cornaro

1999 Antígona

Sinopse

Poderá causar estranheza a publicação de um Tratado da Vida Sóbria numa editora voltada essencialmente para a crítica da patologia social. Pois é. Mas estamos agora convictos de que o desequilíbrio do mundo tem muito a ver com o nosso próprio desequilíbrio. E neste sentido, ninguém leva tão longe o desprezo pelo corpo como o intelectual de hoje, reflectindo-se a sua própria decadência física em quase tudo aquilo que produz, e por consequência, no PENSAMENTO moderno.

Segundo Roy Walford, um gerontólogo norte-americano de nomeada, Alvise Cornaro sabia mais do que os médicos do seu tempo. O regime de restrições que adopta – depois da oficial sentença de morte que os seus médicos lhe aplicam aos 37 anos – condu-lo à longevidade (terá durado cerca de 100 anos), sem abdicar de beber vinho ou de fumar moderadamente até ao fim.

O seu Tratado da Vida Sóbria – uma das mais famosas autobiografias da Renascença – continua a pôr em causa a corporação médica mundial, por esta se ter esquecido da base biológica que rege o corpo humano a partir da escolha dos alimentos, da sua qualidade e, sobretudo, da justa medida de calorias necessárias a cada pessoa, individualmente, pois todos os estudos mais ou menos científicos apontam o excesso (ou a carência) como principal causa de disfunções graves. 

Este livro é também anticonsumo, anticapitalista, um hino à alegria de viver com saúde e, acima de tudo, um sério aviso àqueles que se submetem cegamente aos poderes da medicina, depois manipulados e explorados de acordo com os interesses dos consultórios e das multinacionais que fabricam os medicamentos. 
O equilíbrio holístico estará então nas nossas mãos, uma vez que «o homem não pode ser médico perfeito de outros além de si mesmo» (p. 51).

- Luís Oliveira

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