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Poema e Poesia de Antero de Quental

Engano
Antero de Quental

Transcendentalismo

(A J. P. Oliveira Martins) 

Já sossega, depois de tanta luta, 
Já me descansa em paz o coração. 
Caí na conta, enfim, de quanto é vão 
O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa. 

Penetrando, com fronte não enxuta, 
No sacrário do templo da Ilusão, 
Só encontrei, com dor e confusão, 
Trevas e pó, uma matéria bruta... 

Não é no vasto mundo — por imenso 
Que ele pareça à nossa mocidade — 
Que a alma sacia o seu desejo intenso... 

Na esfera do invisível, do intangível, 
Sobre desertos, vácuo, soledade, 
Vôa e paira o espírito impassível! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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