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Poema e Poesia de Antero de Quental

Chamei em volta do meu frio leito 
As memórias melhores de outra idade, 
Formas vagas, que às noites, com piedade, 
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito... 

E disse-lhes: No mundo imenso e estreito 
Valia a pena, acaso, em ansiedade 
Ter nascido? Dizei-mo com verdade, 
Pobres memórias que eu ao seio estreito. 

Mas elas perturbaram-se - coitadas! 
E empalideceram, contristadas, 
Ainda a mais feliz, a mais serena... 

E cada uma delas, lentamente, 
Com um sorriso mórbido, pungente, 
Me respondeu: - Não, não valia a pena! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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