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Poema e Poesia de Antero de Quental

Estava a Morte ali, em pé, diante, 
Sim, diante de mim, como serpente 
Que dormisse na estrada e de repente 
Se erguesse sob os pés do caminhante. 

Era de ver a fúnebre bachante! 
Que torvo olhar! que gesto de demente! 
E eu disse-lhe: «Que buscas, impudente, 
Loba faminta, pelo mundo errante?» 

— Não temas, respondeu (e uma ironia 
Sinistramente estranha, atroz e calma, 
Lhe torceu cruelmente a boca fria). 

Eu não busco o teu corpo... Era um troféu 
Glorioso de mais... Busco a tua alma — 
Respondi-lhe: «A minha alma já morreu!» 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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