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Poema e Poesia de Antero de Quental

Nenhum de vós ao certo me conhece, 
Astros do espaço, ramos do arvoredo, 
Nenhum adivinhou o meu segredo, 
Nenhum interpretou a minha prece... 

Ninguém sabe quem sou... e mais, parece 
Que há dez mil anos já, neste degredo, 
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo 
E me contempla a aurora que alvorece... 

Sou um parto da Terra monstruoso; 
Do húmus primitivo e tenebroso 
Geração casual, sem pai nem mãe... 

Misto infeliz de trevas e de brilho, 
Sou talvez Satanás; — talvez um filho 
Bastardo de Jeová; — talvez ninguém! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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