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Poema e Poesia de Antero de Quental

Alma
Antero de Quental

Sepultura Romântica

Ali, onde o mar quebra, n'um cachão 
Rugidor e monótono, e os ventos 
Erguem pelo areal os seus lamentos, 
Ali se há-de enterrar meu coração. 

Queimem-no os sóis da adusta solidão 
Na fornalha do estio, em dias lentos; 
Depois, no inverno, os sopros violentos 
Lhe revolvam em torno o árido chão... 

Até que se desfaça e, já tornado 
Em impalpavel pó, seja levado 
Nos turbilhões que o vento levantar... 

Com suas lutas, seu cansado anseio, 
Seu louco amor, dissolva-se no seio 
D'esse infecundo, d'esse amargo mar! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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